Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 06/06/2020
‘Balburdia’, foi a palavra usada pelo atual ministro da educação para caracterizar estudantes e pesquisadores de universidade. Essa categorização levou à indignação de muitos, em específico grandes cientistas que levantaram a discussão da fuga de cérebros no Brasil. Por conta disso, profissionais altamente qualificados deixam seu país em busca de valorização profissional tanto do Estado como da população.
Em primeira análise, a falta de investimento do governo em áreas cien-tíficas e tecnológicas promove a desvalorização desses profissionais. Isso está diretamente relacionado à fuga de cérebros que significa a saída de trabalhadores, altamente qualificados, para outros países de forma de-finitiva. Isso fica claro no estudo de Fernando Nogueira para a UNICAMP, Universidade de Campinas, onde cerca de 55.000 profissionais deixaram o Brasil, de forma definitiva, entre os anos de 2015 e 2017. A consequência disso, mesmo com investimento em educação, que é precário, se não houver aplicação de dinheiro público na valorização desses “cérebros” e de seu trabalho haverá paulatinamente dificuldade em combater essa fuga.
Ademais, é válido salientar que a não valorização e descrença em pes-quisas científicas pela população brasileira promove a fuga de cérebros. Um exemplo disso, é a insistência ao uso de um medicamento para o tra-tamento do vírus COVID-19, no qual pesquisas apontam que não há efi-cácia e existe o perigo de efeitos colaterais. Ou seja, a descrença que parte da sociedade tem no ramo científico gera a fuga de profissionais para outros países, pois, esses trabalhadores e seus feitos não são respeitados.
Portanto, a falta de valorização e respeito por certos profissionais promo-ve a fuga desses para outros países. Para combater essa realidade, o Mi-nistério de Ciência e desenvolvimento em parceria com empresas privadas devem investir na manutenção e valorização desses profissionais, por meio de feiras de ciência e tecnologia e programas de iniciação científica em uni-versidades e escolas, para que desde cedo os jovens respeitem e valori-zem os ‘cérebros’ e esses possam trabalhar sem precisar sair do seu país.