Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 05/06/2020
A 3ª Revolução Industrial, também chamada de Técnico-Científica, gerou um grande avanço na ciência. Graças a ela, o desenvolvimento científico e a maior qualificação de profissionais tornaram-se cruciais para o crescimento de qualquer país. No entanto, atualmente, o Brasil, sofre com a fuga de cérebros que tem aumentado nos últimos anos. Essa conjuntura dispõe de inúmeros desafios para o combate a essa diáspora de cientistas, tais como a desvalorização do setor científico e o imediatismo do Estado brasileiro.
É necessário avaliar, de início, que um dos maiores desafios para o combate à fuga de cérebros no país é a desvalorização do setor científico. Isso ocorre devido à ausência de oportunidades no mercado de trabalho, bem como à falta de incentivo à pesquisa. Apenas em 2020, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) cancelou mais de 5 mil bolsas destinadas a alunos de doutorados e mestrados. Essa realidade promove nos pesquisadores não apenas desânimo com relação ao futuro de suas carreiras, mas torna a busca por oportunidades no exterior uma necessidade de melhores condições de trabalho.
Ademais, outro problema que cerca o combate à fuga de cérebros é o imediatismo do Estado brasileiro. Isso ocorre, pois, no Brasil, há uma cultura na sociedade civil e política de cobrança e preferência por medidas imediatistas, ou seja, de efeito rápido. Esse pensamento foi explicado pelo sociólogo polonês Bauman, o qual afirmou que a sociedade contemporânea é regida pelo imediatismo e pela superficialidade. Tal fato faz com que qualquer necessidade de aprofundamento e tempo seja desprezado. Esse é o caso das pesquisas científicas no Brasil que, por necessitarem de tempo e não oferecer resultado rápido, são desprezadas pelo Estado. Assim, inúmeros pesquisadores saem do país e levam conhecimento e desenvolvimento a longo prazo para o exterior.
São necessárias, portanto, medidas que modifiquem essa realidade. Para isso, o Ministério da Educação investirá mais na área de pesquisa, por meio do envio de maior capital para projetos em andamento, com maiores bolsas para os cientistas, a fim de que possam se dedicar aos projetos com o maior apoio possível. Além disso, a Capes elaborará um site e um aplicativo, nos quais pesquisas que já possuem resultados aplicados no cotidiano sejam divulgados em uma linguagem acessível para a população, a fim de que o mito de políticas públicas imediatistas possa ser esquecido com o tempo. Assim, o país não mais perderá seus grandes cérebros.