Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 12/06/2020

Tarsila do Amaral, na tela “Abaporou”, representou metaforicamente que o brasileiro foi colonizado para ter mais pé para sua força de trabalho do que cabeça para o desenvolvimento intelectual. Infelizmente, o governo brasileiro continua com a mesma linha de raciocínio daqueles que colonizaram o país, visto que o campo da ciência se encontra muito primitivo ainda, ocasionando a fuga de cérebros. Sendo este um problema de forte impacto socioeconômico, para acontecer o seu combate, preciso superar alguns desafios, como a falta de investimento na área  e a corrupção.

É importante, antes de tudo, ressaltar como um dos principais obstáculos no combate à fuga de cérebros a falta de capital na área da ciência no Brasil. Isso porque a escassez de investimento além de gerar a falta de oportunidade de emprego, deixa o país dependente da tecnologia externa, o que atrasa o andamento das pesquisas nacionais. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, por exemplo, o baixo investimento deixou o país despreparado para enfrentar a pandemia do coronavírus, devido a falta de equipamentos e tratamentos. Todo esse descaso com profissão acaba promovendo a emigração das cabeças pensantes para diversos países que possuem programas com melhores estruturas educacionais e facilitam a entrada do estudante.

É fundamental pontuar, ainda, o desvio de verba no país como outro desafio a ser superado para acontecer o combate à fuga de cérebros. Tal fato se explica porque, devido a corrupção, o pouco dinheiro que é destinado aos centros educacionais não chega ao destino final, comprometendo assim as chances dos alunos desenvolverem suas pesquisas. Prova disso são os dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, com o gasto anual com a corrupção no Brasil poderia ser construído 14 milhões de salas de aula. É importante ressaltar que esse problema  de infraestrutura, acaba impulsionando a saída dos estudantes, gerando um grande impacto no desenvolvimento socioeconômico do país, como um  futuro déficit em algumas profissões.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para que o país supere todos esses desafios no combate à fuga de cérebros. Para isso, de início, é imprescindível que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação assegure o desenvolvimento do patrimônio científico, isso pode ser feito através de uma solicitação ao poder executivo de um reajuste na divisão monetária para que a área da pesquisa tem mais investimentos. Além disso, o Ministério Público deve investigar mais afundo e punir conforme a Constituição os casos de corrupção. Assim, com essas mudanças não acontecerá mais a diáspora de cérebros e no futuro os brasileiros não serão mais representados como a pintora modernista retratou no século XX.