Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 12/06/2020
Na Grécia, com o fortalecimento de uma elite proprietária de terra e consequente marginalização da população que não detinha desses privilégios, iniciou-se a ‘‘Segunda Diáspora grega’’, em que os indivíduos migraram do interior para outras regiões em busca de terras cultiváveis. De maneira análoga, os brasileiros enfrentam também uma diáspora, a fuga de cérebros. Com isso, é válido discutir os desafios nesse combate, como a baixa qualidade de vida em decorrência de altos impostos e a falta de recursos científicos em contrapondo ao exterior.
A priori, segundo pesquisa da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil apresenta uma carga tributária pequena em relação aos países desenvolvidos, apresentando 32% sobre o PIB. No entanto, ao comparar a qualidade de vida proporcionada por os países de primeiro mundo, os impostos altos são equivalentes à uma boa educação, bons salários e uma garantia de bem-estar, o que no Brasil não ocorre devido casos de corrupção. Então, torna-se frequente o desejo de saída do país em busca de melhoria.
Em segunda análise, baseado no dado da Receita Federal do Brasil, desde 2015 o número de saídas definitivas do país está acima dos vinte mil a cada ano. Diante da falta de recursos para investimento em pesquisa científica, os profissionais especializados são os grandes responsáveis pelo crescimento desse número. Dessa forma, com o cenário caótico brasileiro - baixa remuneração e reconhecimento da ciência - os EUA tornam-se os captadores desses cérebros. Consequentemente, sem o amparo necessário, a nação de origem é incapaz de competir com o exterior, perdendo além disso, o potencial de inovações desenvolvidas por seus nativos.
Portanto, baseado nos desafios apresentados no combate à fuga de cérebros, é necessário que o Estado em parceria com o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação) direcione verbas para o investimento em pesquisas científicas, visando a conquista de uma boa mão de obra especializada. Para que assim, o desenvolvimento tecnológico seja visto como carro chefe no país. Ademais, a SEFAZ (Secretaria de Estado da Fazenda), por ser responsável na cobrança de impostos, possa redigir tais tributos com foco na melhoria da saúde e educação brasileira, para que dessa maneira ao aumentar o bem-estar social e proporcionar um custo de vida acessível, a chance de uma nova diáspora ocorrer diminua, valorizando-se então o nacional.