Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 10/06/2020
No século XX, grande parte dos países investiram em pesquisas para o surgimento de novas tecnologias. Visando, dessa forma, contribuírem ou se protegerem dos horrores da segunda guerra mundial que assolava o planeta. Entretanto, na hodiernidade, o Brasil tem perdido grandes cientistas, os quais saem à procura de melhores condições de vida. Logo, a falta de instruções sobre a importância da permanência e o pouco investimento contribuem com a fuga desses “cérebros” para fora da nação.
Em primeira análise, o pedagogo Paulo Freire afirma que grande parte da educação brasileira é “bancária”. Dessa forma, o termo criado por ele explica que os professores tratam os alunos como “caixas de banco”, os quais servem apenas para “depósitos” de conhecimento, sem que seja fomentada a consciência dos educandos. Portanto, com o atual déficit nas instituições de ensino, é notório que os jovens não recebem as devidas informações sobre a imprescindibilidade de colaborar com o crescimento tecno-científico da sua nação. Bem como, poderiam auxiliar na economia, saúde e até mesmo em possíveis conflitos da sua pátria com outras. Dessa forma, os mesmos tendem a abandonar o povo e suas necessidades, indo para ambientes externos, sem ciência da sua importância para o país.
Paralelo a isso, a neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel afirma que precisou fazer uso do próprio dinheiro para bancar suas pesquisas. Por meio disso, nota-se uma negligência do Estado em investir financeiramente nos diversos ramos científicos, o que colabora para uma maior busca de emprego em locais estrangeiros pelos profissionais. Visto que, quando mal remunerados ou com pouca disponibilidade de instrumentos laborais, são impedidos de realizar com excelência seu papel de contribuição para a comunidade científica. Além disso, o economista Fernando N. da Costa mostrou que entre os anos de 2011 e 2017 houve um aumento de quase 40% nas declarações de saídas definitivas do país por profissionais qualificados. Logo, é crescente a quantidade de “cérebros” que vão buscar melhores condições de empregabilidade em outras nações, e o pouco investimento dos líderes brasileiros nesse âmbito é um dos desafios para combater essa fuga.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Dessa maneira, o Estado deve investir na educação, utilizando de forma justa o dinheiro dos impostos, visando melhorar a infraestrutura e os profissionais dos centros de ensino. Além disso, aplicar uma educação Freiriana de qualidade, para que os estudantes se conscientizem da importância de ajudar o seu país com pesquisas tecnológicas. Ademais, o mesmo também deve auxiliar monetariamente as comunidades científicas, promovendo salário digno e materiais essenciais de trabalho em ótimas condições de uso, a fim de que haja o mesmo engajamento científico do século XX, evitando fugas de “cérebros” no Brasil.