Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 05/06/2020
O movimento Pré-modernista foi, sem dúvidas, um marco importante para a sociedade brasileira. Isso porque os artistas da época, cansados das simples imitações das obras e contexto de outros países, resolveram quebrar com os paradigmas daquele período e desenvolver uma arte nacional. Análogo a esse contexto, percebe-se que o Brasil precisa dessa nacionalização no tocante aos desenvolvimentos científicos, já que, cada vez mais, os cientistas têm deixado seu país de origem, seja por falta de incentivo às pesquisas, seja pelo sentimento de inferiorização para prestar serviços as outras nações.
É preciso, inicialmente, entender que as fugas de cérebro do país está intimamente ligada à questão histórica brasileira. É possível chegar a essa síntese tomando por base o período no qual a coroa portuguesa chegou ao Brasil, que, devido ás divergências políticas, manteve a colônia dependente da Europa. Isso fez com que a industrialização do país fosse retardada, bem como as construções de faculdades, o que acarretou um fluxo de estudantes nativos partindo para o exterior. A partir disso, torna-se claro o desafio para conter esses profissionais no país, já que essa situação sempre existiu e continua presente nos dias atuais, tornando-se cada vez mais tentadora graças aos estímulos, aos incentivos e ás tecnologias de qualidade que os países desenvolvidos oferecem.
Pontua-se, do mesmo modo, que um dos principais entraves para reduzir as diásporas de cérebro é a inferiorização com que se olha para o próprio país. Isso pode se explicado partido da ideia do complexo de vira-lata, segundo Nelson Rodrigues , o qual descreve que o brasileiro tende a se sentir inferior diante das outras nações. Tal pensamento enraizado na sociedade faz com que os indivíduos cresçam já com a intenção de morar em outro país e quando se deparam com os investimentos escassos com relação ao desenvolvimento científico , utilizam-se desse gatilho para sair do Brasil.
Entendendo, portanto, que a falta de estímulo na área científica, bem como o pensamento de inferioridade nacional impulsionam profissionais talentosos à deixarem o Brasil. Desse modo, é preciso o Ministério da Educação, em virtude da sua responsabilidade com relação as pesquisas pública, financie tais estudos. Isso deve ser feito por meio da aquisição das tecnologias necessárias para descobertas mais eficazes, assim como da disponibilização de mais bolsas de estudos para os profissionais que desejam defender suas teses, sem esquecer, desse forma, da valorização e reconhecimento do trabalho realizado por essas pessoas que devem receber dignamente. Essas atitudes, indubitavelmente, irão contribuir para a retenção dos cientistas no país e para desconstrução cristalizada de inferioridade,já que as oportunidades irão se equiparar com as oferecidas anteriormente.