Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/06/2020
No período das Grandes Navegações, o pesquisador italiano Cristóvão Colombo - o qual visava comprovar empiricamente a esfericidade da Terra e o consequente descobrimento da América - deparou-se com a negativa de investimentos pelo seu país, cabendo a ele a procura de outro reino que lhe assegurasse a experiência: a Espanha. Da mesma forma, hodiernamente, tem-se a chamada “fuga de cérebros” que se estabelece pelo escasso investimento na área científica e pelo limitado incentivo a pesquisas, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil.
Primeiramente, a cultura acadêmica é estabelecida em um país por meio de investimentos, por parte do Estado, no campo da ciência. No entanto, é notável a quebra contratual do governo brasileiro, em relação ao cidadão, em proporcionar o direito à educação universitária e a continuação de pesquisas de iniciação científica. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, estima-se que em 2017 cerca de 21236 pessoas tenham ido permanentemente aos Estados Unidos em busca de melhores especializações. Devido à esse contexto, ocorre o empobrecimento do campo científico brasileiro e o “deslocamento” do prestígio acadêmico para nações estrangeiras, estimulando o “Brexit” intelectual.
Ademais, o mundo se encontra na dita Era Informacional, a qual se organiza a partir do desenvolvimento técnico-científico contido no Sistema Capitalista. Assim sendo, é inerente ao crescimento econômico a progressão educacional da ciência. Porém, esse contexto não se estabelece de forma plena no Brasil (país emergente), devido ao limitado incentivo a pesquisas em Instituições de ensino superior. Essa situação, consequentemente, impulsiona o fluxo migratório de pessoas em formação acadêmica a nações desenvolvidas, detentoras de um aparato tecnológico de estímulo ao crescimento científico. Como resultado, em muitos casos, a possibilidade do desenvolvimento econômico que esses emigrantes trariam ao Brasil é anulada. Assim, o país entra no ciclo de escasso incentivo à educação e a consecutiva decadência financeira, o que dificulta o combate à fuga de cérebros.
Portanto, é imprescindível estabelecer medidas no combate à fuga de cérebros no Brasil. Assim sendo, o Ministério da Educação deve impulsionar o conhecimento científico, por meio de investimentos em instituições de ensino técnico e superior. Isso será possível mediante à melhor formação estrutural de laboratórios e ao fornecimento de aparelhos e equipamentos, visando o crescimento de uma cultura acadêmica e científica brasileira. Além disso, o Estado deve incentivar o aumento de pesquisas no âmbito científico, por meio do apoio financeiro a estudantes. Isso ocorrerá pela maior distribuição de bolsas de iniciação científica e pela criação de eventos de premiação aos resultados obtidos no estudo, objetivando um maior desenvolvimento intelectual e econômico no Brasil.