Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/06/2020
Na obra ‘‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’’, o protagonista é enviado, por seu pai, para a Europa a fim de estudar e se especializar nos negócios da família, escolha adotada por diversas pessoas entre os séculos XVI e XIX. Saindo da ficção e apesar do hiato temporal, é perceptível a semelhança entre o que ocorria com os jovens outrora e os atuais acadêmicos, uma migração condicionada pela melhor oportunidade de estudos. Sob esse viés, é fundamental analisar o principal motivador da fuga dos cérebros, a falta de investimento estatal no ramo cientifico, tal como o reflexo dessa ação na sociedade.
É preciso compreender, em primeira análise, que a migração dos estudantes, principalmente os mestrandos e doutorandos, é um fenômeno que cresce exponencialmente no país. Isso ocorre porque diversos países oferecem melhores oportunidades e incentivos à comunidade científica. No Brasil, em contrapartida, aqueles que se dedicam à especialização em alguma área do conhecimento encaram uma realidade de abandono e desleixo por parte das autoridades governamentais. Tal ineficiência foi constatada na pesquisa realizada por Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, de 2018, a qual revela que o Brasil investiu apenas 1,26% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento.
Ademais, faz–se necessário analisar que a referida falta de investimentos no ramo científico acarreta em uma falta de credibilidade dos cientistas perante parte da sociedade. Essa opinião pública é fruto de uma mentalidade ingênua sobre a importância do investimento cientifico, não apenas para o desenvolvimento econômico do país, mas também o social. Tal incerteza foi analisada e, segundo o Instituto Gallup, cerca de um terço dos brasileiros desconfiam da eficácia da ciência e de seus resultados. Esse ceticismo coletivo promove a desvalorização dos profissionais, os quais preferem ir a países, como Estados Unidos, que fornecem salários melhores e a população compreende e valoriza essa comunidade.
Portanto, o fenômeno da fuga dos cérebros revela a falha das esferas públicas com o ramo científico e social. Para dirimir tal problemática, é imprescindível que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e o Ministério da Educação, principalmente através do CAPES, por serem setores responsáveis pela educação superior e acadêmica dos brasileiros, forneçam investimento monetário para pesquisas e trabalhos científicos nas Universidades Públicas e Polos de Tecnologia. A partir desse incentivo, os estudantes, mestrandos e doutorando terão oportunidades de realizar seus projetos com eficiência. Além disso, é fundamental a divulgação da importância desses projetos para a sociedade em meios de comunicação, como televisões e rádios, e nas mídias sociais do Governo, dessa forma a população terá acesso e entenderá que é preciso valorizar o conhecimento cientifico.