Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 12/06/2020

“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.” No poema “Canção do Exílio” o escritor Gonçalves Dias apresenta um eu lírico brasileiro exilado em Portugal. Entretanto, sabe-se que, na realidade, o escritor foi para a terra de Camões com o objetivo de cursar direto na universidade de Coimbra, pois, no Brasil existiam apenas duas faculdades de ciências jurídicas recém inauguradas. Dois séculos depois, a quantidade de cursos superiores no país aumentou bastante, no entanto, ainda assim, há uma evasão grande de intelectuais para o exterior, seja em busca de mais recursos para desenvolver seus estudos, seja à procura de uma melhor qualidade de vida.

Em primeiro lugar, é importante destacar que um dos principais desafios no combate à fuga de cérebros do Brasil é a falta de recursos para o desenvolvimento de pesquisas mais complexas e até para a manutenção dos estudos já em curso. Isso pode ser percebido ao se observar medidas como o bloqueio de 30% da verba destinada pelo Ministério da Educação às universidades e aos institutos federais do país em 2019. Ações como essa são muito prejudiciais para o desenvolvimento científico nacional, pois criam uma insegurança nos pesquisadores em relação à possibilidade de continuação de suas atividades. Assim, vários profissionais altamente qualificados escolhem deixar o país em troca de melhores condições de trabalho no exterior.

Além disso, outro empecilho na luta contra à evasão de intelectuais do território nacional é o grande abismo social existente no Brasil. Isso porque, de acordo com a ONU, o país é o sétimo mais desigual do mundo e essa disparidade socioeconômica gera problemas como o aumento dos índices de violência. Dessa forma, muitos cérebros são atraídos para o exterior, não só pela maior disponibilidade de recursos para a realização de suas atividades, mas também pela melhor qualidade de vida oferecida por outros países.

Portanto, levando-se em consideração os principais fatores que contribuem para a saída de intelectuais do Brasil, o Ministério da Educação deve criar uma política nacional de incentivo ao desenvolvimento da ciência. Tal medida deve ter como princípio fundamental a ampliação dos recursos destinados às universidades públicas e aos institutos federais, bem como a oferta de mais bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado entre os estudantes dessas instituições. Ademais, os poderes legislativo e executivo devem agir em conjunto no sentido de diminuir as desigualdades sociais existentes no território nacional. Isso deve ser feito por meio de projetos de incentivo a educação básica, de ampliação do acesso à saúde e de fomento à segurança pública. Dessa maneira, será possível acabar o ciclo histórico de fuga de cérebros do país.