Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/06/2020

No período da Segunda Guerra Mundial diversos cientistas,  os quais não concordavam com o sistema totalitário implantado na Alemanha, saíram do País em busca de oportunidades melhores para suas pesquisas. De semelhante modo, no Brasil atual, diversos cérebros tem migrado para outras nações em busca de condições mais favoráveis para desenvolver seus estudos. Diante dessa realidade, combater essa fuga de cérebros é desafiador  devido ao baixo investimento nas Instituições Nacionais e à cultura por parte de alguns governantes brasileiros de não valorizarem o desenvolvimento científico.

Em primeira análise, o investimento feito em Instituições Nacionais não é suficiente para um desenvolvimento cientifico de qualidade por parte dos cientistas. Situação essa que torna o combate a migração de cérebros um desafio. Prova disso é, no ano de 2018, o atual Presidente da República ter, como um dos seus primeiros feitos na direção do Governo Federal, reduzido o número de bolsas destinadas a mestrados e doutorados. Assim, em decorrência do corte orçamentário, diversos cientistas que iriam desenvolver pesquisas em Instituições Federais, foram impedidos de conduzir seu trabalho. Essa perspectiva demonstra o investimento ínfimo e insuficiente nesse setor tão importante. Por consequência dessa realidade, diversos pesquisadores optam por “fugir” do País em busca de melhores oportunidades de “fazer ciência”. Esse quadro revela um desafio para o combate à fuga de cérebros.

Em segunda análise, o combate à fuga de cérebros torna-se ainda mais desafiador mediante ao fato de os governantes não estimularem a nação a reconhecer cientistas como autoridades significativas e dignas de serem ouvidas em assuntos pertinentes as suas áreas de atuação. Isso é demonstrado, por exemplo, quando o Presidente da República insiste no uso de um medicamento não reconhecido cientificamente para tratamento da “Covid-19, o “Hidróxido de Cloroquina”, independente de diversas autoridades no assunto se posicionarem contrárias a isso. Esse ato de rebeldia de Jair Bolsonaro contra a comunidade cientifica torna ainda mais desafiador o combate à fuga de cérebros. Pois, demonstra que os pesquisadores não são ouvidos e respeitados em seu conhecimento e cátedra pela nação.

Portanto, para superar os desafios do combate à fuga de cérebros no País, é necessário que o Governo Federal, através do Ministério de Ciências e Tecnologia e do Ministério da Educação, destine uma parte mais significativa do orçamento dado ao Ministério da Educação, através do re-direcionamento do dinheiro para o investimento na estrutura das Instituições  Federais com o objetivo de fornecer condição para o desenvolvimento de pesquisas. Somado a isso, a mídia deve combater, por meio do uso de propagandas e disponibilizando espaço para cientistas no horário nobre, discursos que menosprezem as opiniões dos cientistas, com a finalidade de aumentar a credibilidade desse setor na sociedade.