Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/06/2020

A Constituição brasileira de 1988, em seu artigo 218, estabelece que o Estado deve promover e incentivar o desenvolvimento científico em sua amplitude, como a pesquisa e a inovação. No entanto, o atual cenário é marcado por baixos investimentos e má administração governamental, ocasionando um dos motivos para a saída de estudiosos do país. Sendo assim, o principal desafio para a autonomia científica é o resquício de um pensamento colonial, que submete o Brasil à dependência de países ricos para que o conhecimento seja produzido.

A princípio, o desenvolvimento tardio do processo industrial no Brasil, iniciado em meados do século passado, originou consequências na atualidade. Segundo a psicanalista Maria Rita Kehl, sociedades periféricas têm ideias fantasiosas de “tornar-se o outro”, ou seja, transformar-se em um país desenvolvido sem, no entanto, realizar as devidas revoluções industriais necessárias para alcançar esse patamar. Esse desejo, chamado de Bovarismo, não contribui para a modernização independente do Brasil, pois inibe processos emancipatórios, fortalecendo dependências em relação a países ricos e também delonga o desenvolvimento do conhecimento. Desse modo, é importante que o país estabeleça um progresso industrial de acordo com suas especificidades e interesses próprios, não apenas como uma cópia de outras nações, de forma a fortalecer a valorização dos profissionais.

Em segundo plano, é fundamental entender a necessidade de uma estratégia racional para o avanço da produção científica. Sendo assim, nos países ricos, as universidades que produzem pesquisas e ciência são bastante atrativas para profissionais brasileiros, que encontram a liberdade para produzir conhecimento, diferente do Brasil, em que a crise política e econômica atinge os investimentos em bolsas de estudos. Sendo assim, um estudo realizado pela empresa JBJ Partners mostrou que, em quatro anos, de 2014 a 2018, o total de profissionais que migraram do Brasil passou de 83% para 93%. Esse cenário tende a ser agravado pelo corte de bolsas de iniciação científica, o que torna necessário uma melhor gestão dos investimentos.

Diante do valor indispensável da produção científica, é essencial, portanto, que o Ministério da Economia estabeleça um plano orçamentário destinado a atividades industriais e práticas acadêmicas, oferecendo maiores verbas, as quais serão utilizadas para maior remuneração dos profissionais e suporte estrutural. Logo, haverá um aumento no número de pesquisas. Além disso, o Ministério da Ciência deve garantir a manutenção de bolsas de iniciação científica, em parceria com a iniciativa privada, a fim de manter estudiosos no país. Com isso, existirá uma valorização e melhora do trabalho dos pesquisadores, desestimulando a fuga de cérebros no Brasil.