Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/06/2020
“Brain drain”, fuga de capital humano ou de cérebros consiste na emigração de indivíduos detentores de alto grau de conhecimento técnico ou científico para países mais desenvolvidos. Tais especialistas são atraídos para trabalhar em locais como os EUA e Europa, já que lá conseguem oportunidades de desenvolver pesquisas em ciência e tecnologias e têm empregos com remuneração adequada, o que, muitas vezes, lhes é no Brasil. A partir desse contexto, é válido analisar quais os principais desafios no combate à fuga de cérebros no país.
É importante, de início, entender que a carência de investimentos nas áreas de ciência e tecnologia é um dos maiores empecilhos para manter os especialistas no Brasil. De acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o país teve uma redução de 30% nas verbas destinadas a ciência e a previsão é de mais cortes nos próximos cinco anos. Com isso, bolsas são cortadas, pesquisas encerradas antes da obtenção de resultados e não se tem como atualizar os equipamentos de trabalho dos pesquisadores, levando-os a saírem do país em busca de locais onde possam exercer sua ciência e sejam valorizados.
Faz-se necessário citar, ainda, que a forma como é feita a educação brasileira também é um empecilho no combate à fuga de cérebros. Tomando como base o pensamento do pedagogo Paulo Freire, o qual afirmou que a educação brasileira é depositória, isto é, informa sem formar, nota-se que há um déficit no sistema educacional no que tange, por exemplo, o ensino das ciências da natureza, fundamentais para o desenvolvimento científico. Dessa forma, os alunos que deveriam ser instigados a notar como os assuntos dessas matérias influenciam nas suas vidas, são, na verdade, incentivados a apenas decorar o conteúdo e passar de ano, mitigando o que poderia vir a se tornar uma geração de indivíduos detentores de conhecimento científico no país.
Compreende-se, portanto, que urgem medidas para solucionar os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil. Por isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia, pela função de fomentar as políticas de desenvolvimento tecnológico, deve incentivar a produção científica no país. Tal ação se dará por meio de investimentos nas universidades e institutos de pesquisa, berços da ciência nacional, visando manter os cientistas e técnicos no país durante e após sua graduação. Por outro lado, o Ministério da Educação, deve desenvolver um programa de ensino que una o conhecimento teórico na sala de aula ao conhecimento prático no dia a dia, fazendo com que o ensino das ciências da natureza seja mais atraente e próximo da realidade dos estudantes. Dessa forma, a fuga de cérebros no Brasil será resolvida e ainda haverá incentivo a produção científica no país.