Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/06/2020
Ainda no início do século XXI, foi instituído, no Brasil, o Dia Nacional da Ciência. Mais do que uma celebração, tal iniciativa fomentou a ideia de que a nação passaria a tratar as pesquisas científicas como prioridade. Quase duas décadas depois, o crescente número de pesquisadores que abandonam as universidades brasileiras fornece indícios de que a valorização esperada não saiu do campo legal. O combate ao êxodo de cientistas nacionais mostra-se tão dificultoso quanto em outrora, sendo, atualmente, acentuado pela desvalorização histórica e pela escassez de investimentos.
A princípio, observa-se que a cultura da desvalorização científica é reflexo da frágil educação escolar brasileira. Quanto a isso, o pedagogo Paulo Freire cunhou o termo “ensino bancário” para se referir ao sistema educacional que apenas deposita conhecimento no aluno, sem que o discente possa refletir sobre eles. Dessa forma, privados de ter acesso à educação como ferramenta de transformação social, esses jovens tornam-se incapazes de reconhecer o potencial que a ciência possui para modificar a realidade. Tal fato auxilia a perpetuar uma massa adulta acrítica, que apenas reproduz o descrédito histórico que a sociedade brasileira destina à atividade científica nacional.
Outrossim, a escassez de investimentos nas universidades contribui para a problemática à medida em que impossibilita a continuidade dos estudos científicos. Segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, a redução de recursos destinados às faculdades ultrapassou três bilhões de reais somente em 2018. Nota-se, então, que os professores brasileiros, ao não econtrarem subsídios públicos, optam por desenvolver suas ideias em solo estrangeiro, o que, por vezes, resulta na produção de inovações tecnológicas. Assim, o Brasil não só promove a exportação de seus cientistas, como também gasta recursos financeiros para adquirir mercadorias que poderiam ter sido desenvolvidas em seu próprio território.
Depreende-se, portanto, que a migração em massa de intectuais brasileiros é um problema latente. Para minimizá-lo, as secretarias estaduais de educação e as escolas devem aproximar seus educandos do cotidiano das universidades. Isso pode ser realizado por meio de visitas guiadas aos campi das faculdades, nas quais os alunos do ensino médio teriam a oportunidade de conhecer as pesquisas que são realizadas em diversas áreas do conhecimento, bem como a contribuição científica como agente de transformação social. Além disso, cabe ao Ministério da Educação aumentar a quantidade de verbas destinadas às pesquisas, o que poderia ser realizado mediante parcerias com a iniciativa privada. Espera-se, assim, que os cientistas brasileiros possam, enfim, ter motivos reais para comemorar o Dia Nacional da Ciência.