Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 07/06/2020
O artista plástico pernambucano Samuel d’ Saboia, por pintar a sua vivência diária violenta de maneira abstrata, foi desprezado pelo público do Brasil e valorizado por galerias de arte de Nova Iorque e, hoje, tem sucesso mundial, menos no seu país natal. De maneira análoga ao caso de Samuel, muitos brasileiros não têm suas inteligências científicas e artísticas valorizadas e precisam sair do país para terem sucesso. Com isso, é válido analisar as causas problemáticas para tamanha fuga de cérebros no Brasil, podendo assim solucionar os desafios para combatê-las.
A princípio, é necessário entender que a motivação principal para tanta desvalorização de talentos na nação verde-amarela é a lacuna educacional que não estimula os discentes a enxergarem suas capacidades. Ao compreender que, no Brasil, os centros educacionais são regidos por uma estrutura ultrapassada e conservadora, na qual só o professor é ativo no ensino, infere-se que o corpo estudantil não é valorizado desde sua própria formação. Tal fato é comprovado com a teoria do filósofo Paulo Freire de “educação bancária”, a qual fala que o aluno é visto como um depósito de informações, sem estimulá-lo a desenvolver seu senso crítico e artístico, e quando desenvolve, não valoriza, sendo essa a realidade atual brasileira. Dessa forma, fica evidente que a um sistema educacional que não valoriza os “cérebros” dos seus estudantes, futuramente vai perdê-los.
Além disso, é notório que a desvalorização, por parte da sociedade, de mentes criativas e técnicas, desestimula brasileiros e os fazem sair do país em busca de reconhecimento. Ao perceber que, desde a origem do povo brasileiro, a maioria era instigada a pensar que seu único futuro era usar sua força física na área agrária ou industrial, em prol de uma formação de mão de obra em massa, depreende-se que o brasileiro não era encorajado a usar seu cérebro e sim, suas mãos. Tão tal o como representado no quadro “Abaporu”, de Tarsila do Amaral, no qual uma pessoa tem uma cabeça minúscula comparada a seus braços e pernas. Dessa maneira, fica claro que, no Brasil, diante de uma herança histórica enraizada, enaltecer mentes brilhantes não é frequente, fazendo-as procurar respeito em outro país.
Portanto, é fulcral que uma ação urgente seja efetivada em prol de mitigar a fuga de cérebros brasileiros. Nesse sentido, é necessário que o Ministério da Educação, com seu poder de modificar a grade curricular nacional, implemente a matéria “seja ativo” nos centros educacionais que, por meio de aulas semanais dadas pelos próprios alunos, com sua didática própria, expliquem um assunto e ao terem que formular uma aula, construam o conhecimento de uma nova forma, sendo ativos nessa construção, a fim de que entendam que são parte do sistema, tão como seus colegas, valorizando suas mentes e a dos outros. Desse jeito, a raiz histórica que fez Samuel sair do Brasil seria atenuada.