Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 12/06/2020
Segundo o economista e diplomata brasileiro Roberto Campos, “Mais importantes que as riquezas naturais são as riquezas artificiais da educação e tecnologia”. No entanto, a fuga de cérebros tem sido um fator preocupante em relação ao futuro das produções científicas, sendo esse cenário agravado pela natural falta de apoio da população à pesquisa e pela negligência estatal.
Em primeiro plano, um dos fatores que promovem a fuga de cérebros do Brasil é a própria cultura nacional, a qual além de desconfiar da ciência, valoriza o trabalho em detrimento da alta especialização, o que faz com que a população não dê o devido reconhecimento aos cientistas e às suas descobertas. Uma prova disso é a afirmação do doutor Dayson Friaça Moreira, um dos profissionais que deixaram o país, em entrevista ao jornal “Gazeta do Povo”: “Nos Estados Unidos, o cientista é muito valorizado e respeitado, o que em geral não acontece no Brasil. Quando estava fazendo meu doutorado no Brasil, tive que ouvir muito a frase ‘você só estuda, não trabalha’”. Esse relato torna evidente a necessidade de uma metanoia na sociedade brasileira.
Ademais, o Estado brasileiro não valoriza ou incentiva a produção científica, o que se reflete na escassez de verba, constante risco de corte nas bolsas e desemprego, alta burocracia na aquisição dos materiais necessários. De acordo com um percentual divulgado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2014, 25% dos brasileiros com doutorado, e 35% dos que têm mestrado, estão desempregados; o que comprova essa negligência estatal. Dessa forma, o Brasil têm desestimulado os pesquisadores e espantado a inovação de seu território, caminho que o leva a permanecer limitado a exportação de commodities e dependente da produção científica e tecnológica de outros países.
Destarte, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve criar campanhas de valorização da ciência e dos cientistas, por meio de vídeos que seriam divulgados na TV, rádio e internet; e retratariam rapidamente o quão árduo é desempenhar a função de pesquisador, assim como as consequências positivas da produção científica para a população como um todo, citando exemplos de estudiosos que revolucionaram, como Thomas Edison. Dessa forma, a sociedade teria outra mentalidade, passando a reconhecer a importância da ciência. Além disso, é necessário também que o Poder Legislativo entenda que a ciência é um investimento de longo prazo e passe a incentivá-la, por meio da criação de uma lei que assegure que após iniciada uma pesquisa, esta será financiada até o seu término e garanta as bolsas dos cientistas. Assim, esses profissionais não se sentiriam desamparados pelo Estado nem correriam o risco de precisar interromper seus trabalhos devido à falta de verba. Então, tendo apoio popular e estatal à inovação, a fuga dos cérebros poderia ser evitada.