Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 12/06/2020

De acordo com o físico Marcelo Gleiser, “a ciência é o produto da capacidade humana de maravilhar-se com o mundo e produzir feitos incríveis”. Sendo assim, fica clara a relevância que a ciência e a pesquisa tem para a humanidade, contudo, no Brasil, os cientistas não encontram espaço para desenvolver projetos. Por isso, acabam buscando em países onde a área é mais valorizada, oportunidades que não possuem em sua nação, visto que, o país investe muito pouco na pasta científica além da falta de visão estratégica do Estado para o setor.

Primordialmente, os investimentos na área científica brasileira sofrem de grande inconstância devido a mudança que ocorre nos chefes do executivo, o que gera também, troca de prioridades dos mesmos. Com isso, do ano de 1998 até 2010, de acordo com dados do Diário Oficial da União, o país investiu em pesquisa, no percentual do PIB (Produto Interno Bruto), de 0,61% à 1,0%. Outrossim, países nos quais os cérebros brasileiros procuram refúgio, de acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), aplicam valores acima de 3% do PIB. Acresce que, o baixo emprego na área deve-se a falta de valorização do setor para o país pois, países que valorizam a área tendem ao aumento do desenvolvimento estrutural e da qualidade de vida do povo.

Por conseguinte, no ano de 2019 aconteceu no estado de São Paulo o oitavo Conselho Global de Pesquisa, conferência que buscou expandir o diálogo da importância do setor da pesquisa, da valorização dos cientistas e influenciar países - como o Brasil - a investir com mais peso no setor. Por isso, países como Estados Unidos, Alemanha e Austrália levaram ao conselho, planos e dados que foram usados nos mesmos e que mostraram o processo gradativo que levou à estas nações, uma explosão econômica e social positivas. Dessa forma, mostrando que a valorização na base pesquisadora científica, sobretudo, estrategicamente planejado pelo Estado, gera frutos no desenvolvimentos tecnológico e estrutural de uma nação.

Destarte, é evidente que os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil, serão resolvidos se o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) juntamente ao Ministério da Economia, reconheçam a importância da valorização dos pesquisadores. Dessa maneira, investindo mais do percentual do PIB, além de traçar estratégias e metas que busquem organizar uma maior estrutura para que os cientistas brasileiros tenham segurança para continuar seus projetos. Desse modo, o êxodo científico que acontece no país será evitado, pois eles não terão motivos nem receios para saírem de sua nação de origem.