Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 12/06/2020

Segundo dados do CNPq, publicados na BBC, “o Brasil tem hoje 7,6 doutores por 100 mil habitantes”. Entretanto, esse número não é considerado suficiente quando comparado aos índices de outros países desenvolvidos. Um dos principais motivos para isso é a ocorrência de um fenômeno denominado “fuga de cérebros”, ou seja, saída de profissionais capacitados do país de origem para o exterior em busca de oportunidades de emprego. Assim, nota-se a importância de se analisar os fatores que corroboram para esse fenômeno, como a falta de investimento e o problema de infraestrutura.

Primeiramente, no que diz respeito à falta de capital, dados publicados na pesquisa de Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, indicam que, em 2017, o Brasil investiu apenas 1,26% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, número baixíssimo quando comparado à outros países desenvolvidos na liderança da corrida tecnológica. De fato, o a falta de investimentos nessa área levam muitos pesquisadores capacitados a procurar emprego em outros países que valorizem sua formação e seu trabalho. Esse foi o caso da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, que “chegou a tirar dinheiro do próprio bolso” para financiar as pesquisas no Brasil, segundo publicado na Gazeta do Povo, e não exitou em aceitar uma proposta para trabalhar no exterior quando teve a oportunidade. Dessa forma, nota-se como a falta de investimentos no setor de pesquisa influencia na decisão de profissionais qualificados quanto à permanência no país. Enquanto outras nações proporcionam grande incentivo aos trabalhos de pesquisa, o Brasil fornece baixos investimentos para a manutenção dessa área.

Ademais, a falta de estrutura tanto na gestão dos institutos de pesquisa, como no fornecimento de materiais para a realização dos trabalhos, influencia grandemente na escolha dos profissionais quanto à permanência no país. De acordo com Bruno Martorelli, microbiólogo brasileiro associado à Universidade de Winsconsin, “quando o dólar e o euro sobem muito, muitos laboratórios simplesmente não conseguem funcionar", como publicado na Gazeta do Povo. Isso se dá porque a maioria dos equipamentos necessários em pesquisas não podem ser adquiridos no Brasil, sendo necessária a aquisição no exterior.

Assim, nota-se a necessidade de uma intervenção governamental nesse impasse. Juntamente do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, deve ocorrer a criação de uma indústria nacional de equipamentos científicos que necessários para o desenvolvimento de pesquisas, além do aumento de investimentos financeiros na área de tecnologia e ciência. Dessa forma, o Brasil será menos dependente de tecnologias e avanços científicos estrangeiros, uma vez que poderá desenvolver pesquisas no âmbito nacional com profissionais de qualidade que recebem o apoio necessário.