Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 14/06/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra até o topo de uma montanha, porém toda vez que estava quase alcançando o objetivo aquela rolava morro abaixo, por meio de uma força irresistível. Fora da ficção, hodiernamente, a fuga de cérebros no Brasil pode ser comparada à rocha de Sísifo, visto que quando há uma tentativa de contê-la, ela sofre a ação de forças contrárias, como o descaso estrutural e a desvalorização dos profissionais que buscam qualificação. Portanto, torna-se necessária a análise dos fatores que contribuem para os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil.
Primeiramente, é importante destacar que, no país, a estrutura dos ambientes que proporcionam o desenvolvimento dos ofícios é negligenciada. Nesse sentido, esse cenário confronta a ideia da “microfísica do poder”, defendida pelo sociólogo Foucault, haja vista que as pequenas relações infraestruturais, que dão base ao progresso do serviço dos profissionais, são tratadas com displicência. Desse modo, a precariedade do espaço de trabalho, colabora para dispersão dos especialistas que buscam melhores condições para exercer a função.
Em segundo lugar, há um grande descrédito aos trabalhadores que buscam especialização. Tal situação pode ser analisada de acordo com pesquisa divulgada pela Capes, em 2018, informando que mais de sete mil bolsas de mestrado e doutorado estavam congeladas. Nesse segmento, os servidores são prejudicados, visto que as oportunidades de aperfeiçoamento profissional são baixas. Dessa forma, os talentos nacionais são atraídos pelas propostas do exterior.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. É mister que o Estado, por meio de verbas arrecadadas com impostos, invista na construção de centros de pesquisas modernos, proporcionando aos especialistas um local de encargo eficiente, a fim de garantir a permanência dos pesquisadores no país. Além disso, cabe ao Governo Brasileiro, por meio do aumento do número de bolsas de capacitação, incentivar a formação de novos peritos, com o fito de ampliar a qualificação dos trabalhadores brasileiros. Somente assim, as forças contrárias que impedem a diminuição da fuga de cérebros no Brasil poderão ser combatidas.