Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 20/06/2020
Segundo Isaac Roitman, pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ( CNPq), “países que investiram em educação avançaram também em estabilidade política, crescimento econômico e lograram conquistas sociais importantes”. Em contraste com esse pensamento, o Brasil encontra-se decadente diante dos países desenvolvidos, devido à falta de valorização e destino de verbas aos órgãos responsáveis pela pesquisa no país. Levando, por conseguinte, muitos pesquisadores a emigrar como meio de manter suas pesquisas.
Primeiramente, é notável que a ciência tem cooperado no crescimento econômico brasileiro há décadas. Como por exemplo, o plantio da soja no solo ácido do cerrado era inviável, mas por meio de pesquisas feitas pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), conseguiu-se criar uma semente capaz de não só germinar neste solo, como produzir quatro vezes mais a sua capacidade. E hoje, de acordo com o portal G1, a soja é o principal produto da safra brasileira de grão: 115 milhões de toneladas. É o mais exportado do país e o que traz a maior renda para o campo: mais de 140 bilhões de reais por ano. Entretanto, mesmo com essa e outras conquistas feitas pela empresa, a direção da Embrapa disse em nota ao jornal Globo Rural, que há quatro anos o orçamento vem caindo e, se os cortes continuarem, pesquisas em áreas importantes poderão ser afetadas.
Antes mesmo de assumir o cargo, o ministro das Ciências, Tecnologia e Comunicações Marcos Pontes anunciou que uma de suas prioridades seria incentivar parcerias entre empresas e universidades públicas no País, para que o setor privado investisse mais em pesquisa. No entanto, é importante salientar, que no mundo desenvolvido, universidades e outras instituições de pesquisa são financiadas majoritariamente com recursos públicos. No caso dos Estados Unidos, 60% do dinheiro para a pesquisa vêm dessa fonte; na Europa, 77%, afirma o jornal da universidade de São Paulo. Ainda, de acordo com a Unesco, 2,7% do PIB norte-americano são aplicados em pesquisa; o Brasil investe menos da metade: 1,3%.
Logo, para que a ciência seja valorizada e a crescente fuga de cérebros pare de acontecer, é necessário definir uma política nacional de fomento à ciência e à pesquisa de longo prazo. Isto significa que esta política deveria começar fomentando a educação científica na base e seguindo até o topo das instituições acadêmicas e das empresas, com estímulos e apoios duradouros à inovação e à ciência. o CNPq que tem como missão fomentar a Ciência, Tecnologia e Inovação e atuar na formulação de suas políticas, seria uma das organizações de fomento beneficiadas por essa política, com intuito de garantir a continuidade nas pesquisas sem prejudicá-las devido à de falta de meios para concluir a mesma.