Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 19/06/2020

Ao longo dos séculos, o Brasil foi beneficiado pela contribuição de imigrantes na construção de sua história, a maioria deles de baixa escolaridade. No entanto, as últimas décadas têm tido movimento contrário, com a exportação de mão de obra qualificada, tais como de cientistas e pesquisadores, gerando incertezas quanto ao futuro do país.

Dentre os fatores que têm motivado a onda emigratória cita-se a falta de garantia de que à conquista do diploma estará a inserção profissional. Constata-se isso no contingente de diplomados atuando em funções diferentes das de suas formações, muitas sem necessidade de formação específica, como vendedores e motoristas de aplicativos, originando frustração quanto ao investimento realizado. Decepcionados, optam pela revalidação de seus diplomas em localidades que demandam formações nas áreas de saúde e de tecnologia.

Ademais, os cortes nos investimentos à pesquisa, ocorridos nos último anos têm enorme contribuição na diáspora de cérebros. Sabendo que a maioria ocorre nas instituições públicas, o sucateamento de equipamentos, falta de insumos, redução de bolsas de estudos de pesquisadores têm interrompido o desenvolvimento de trabalhos essenciais para a sociedade brasileira. Com isso, desencantados, começam a migrar para sociedades onde a tecnologia e a ciência estão consolidadas e valorizadas.

Os desafios para conter a debandada de cérebros são enormes. Por isso, torna-se essencial uma força-tarefa entre os Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovações visando a elaboração de programas de retenção dessa mão de obra qualificada, o que pode ser feito incentivando a absorção desses profissionais pela iniciativa privada, por meio de redução de impostos trabalhistas, assim como da destinação de verbas para modernização dos laboratórios de pesquisa, através de compras de suprimentos e equipamentos. Com isso, espera-se que o futuro do país ultrapasse esse momento de incertezas.