Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/06/2020

Na série espanhola Elite, a personagem Nadia sai de seu país de origem para estudar em uma instituição de ensino superior em Londres. Não distante da ficção, percebe­-se que, no Brasil, vários estudantes emigram para países com altos índices de desenvolvimento em busca de melhores oportunidades de estudo e trabalho. Esse preocupante quadro caracteriza-se como fuga de cérebros e ocorre devido a falta de investimento do governo em pesquisa, tecnologia e a desvalorização da ciência. Assim, faz-se imprescindível não somente uma análise dessas causas, como também das possíveis soluções para combater o impasse.

Nesse contexto, é necessário salientar que segundo o jornal El País, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior cortou mais de 12000 bolsas, apenas em 2019, e com a pandemia do coronavírus em 2020 mais cortes foram feitos, uma redução de cerca de 15% nas, já escassas, bolsas de pesquisa. Consequentemente, profissionais dotados de um alto conhecimento em seu campo de trabalho migram para países mais desenvolvidos que carecem de suas habilidades e lhes oferecem melhor remuneração, benefícios e reconhecimento. Por conseguinte, isso causa um enorme dano à economia e ao desenvolvimento do Brasil. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Outrossim, o Brasil, que se encontra na posição econômica de país emergente, depende significativamente de pesquisas e inovações tecnológicas para alcançar o status de nação desenvolvida. Para tanto, é indispensável que haja grandes investimentos nesse âmbito, assim como na melhoria da infraestrutura e na maior disponibilidade de verba para os cientistas. No entanto, dados coletados pelo jornal Estadão indicam que desde 2016 o país enfrenta a pior crise financeira da história nos institutos de ciência dependentes do Governo Federal. Tal situação é, portanto, reflexo do descaso das autoridades governamentais e ocasiona prejuízos tanto à classe científica quanto à população em geral.

Em suma, medidas são fundamentais para resolver o impasse. Logo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações — responsável pela formulação e implementação da Política Nacional de Ciência e Tecnologia — deve criar centros de pesquisas, com ampla infraestrutura e dotados das tecnologias mais avançadas, que reúnam cientistas em prol do surgimento de inovações que possam ser implantadas na sociedade, de modo a promover o desenvolvimento social e econômico do país. Ademais, o Governo Federal deve instituir a ciência como área prioritária de investimentos, ao lado da saúde e da educação. Nesse âmbito, será possível acabar com a fuga de cérebros no Brasil.