Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 26/06/2020
De acordo com a Primeira Lei de Newton - a Lei da Inércia-, um corpo tende a permanecer na sua trajetória até que uma força suficiente atue sobre ele, mudando-o de percurso. A partir disso, vê-se que tanto a negligência estatal, quanto a omissão da mídia corroboram para o problema da fuga de cérebros do Brasil, que causa danos econômicos graves, dentre outras sequelas ao País. Desse modo, tais elementos não atuam como as forças suficientes que levariam o percurso do impasse à extinção. Diante disso, cabe analisar os fatores que contribuem com a problemática.
Precipuamente, é essencial pontuar que a negligência estatal corrobora com a trajetória do impasse. Assim, o estado direciona pouco capital para o setor de pesquisas científicas, tornando-o carente de estrutura, de materiais e de tecnologia para o avanço da ciência. Com isso, os doutores preferem sair do Brasil em busca de melhores condições para suas pesquisas e seu desenvolvimento em outro país. Esse quadro é muito bem exposto nas declarações anuais de saída definitiva do país, as quais tiveram um salto significativo de 8.170 para 21.236 declarações, entre 2011 e 2017. Desse modo, fica evidente que a negligência estatal contribui para o contínuo percurso do problema.
Ademais, é imperativo ressaltar a omissão da mídia como promotor do impasse. Partindo desse pressuposto, a imprensa não propaga em larga escala os desenvolvimentos e os marcos importantes da ciência. Dessa forma, o campo científico não é tido, pela população, como algo importante e relevante para o crescimento da sociedade. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a contemporaneidade seria regida por duas grandes tendências comportamentais: o Imediatismo e a Superficialidade. A partir disso, vê-se que não é dada a visibilidade adequada à ciência, pois ela necessita de trabalho metódico, esforço e entrega de quem a realiza. Com isso, evidencia-se que a omissão da mídia corrobora para a trajetória do impasse.
Portanto, é imprescindível uma tomada de medidas para que o combate à fuga de cérebros do Brasil deixe de ser um desafio e cesse. Dessarte, para atenuar a negligência estatal é preciso que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) direcione mais capital para os setores científicos. Tal investimento irá proporcionar a criação de novos centros de ciência com melhor estrutura, disponibilidade de materiais necessários e com mais tecnologia, a fim de que os profissionais não saiam mais do Brasil, pois teriam todo suporte necessário em seu próprio país. Além disso, para mitigar a omissão da mídia, o Estado deveria investir em campanhas publicitárias, por meio da mídia, que difundam a importância da ciência e seus marcos. Só assim, o Estado e a mídia atuarão como as forças suficientes que levarão o percurso da fuga de cérebros do Brasil da persistência à extinção.