Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 19/06/2020
Na fisiologia vegetal, o processo de germinação do embrião de um fruto ocorre apenas ao encontrar um substrato com as características propícias para o crescimento do organismo que, por sua vez, gerará novos frutos. De maneira análoga ao fruto, o ser humano também busca condições favoráveis para se estabelecer de acordo com suas necessidades e desejos. Entretanto, no Brasil hodierno, profissionais bem qualificados não têm encontrado tais condições devido à falta de oportunidade e valorização da ciência e, consequentemente, se evadem para outras nações mais atrativas e levam consigo seu potencial tecno-científico. Sob esse viés, é preciso discutir novas formas de inibir esta mazela.
Em primeiro plano, é preciso ressaltar que a falta de incentivo a uma cultura tecno-científica durante a educação básica cria uma sociedade a qual não valoriza o profissional diplomado. Para o pedagogo Paulo Freire, “se a educação sozinha não muda a sociedade, tampouco a sociedade muda sem ela”. Assim, fica evidente que ensinar um indivíduo desde a sua idade escolar sobre o valor da pesquisa científica é o primeiro passo para criar uma sociedade na qual o trabalhador hábil é mais reconhecido e, por conseguinte, melhor absorvido pelo mercado brasileiro. Em síntese, conceber novas estratégias curriculares de enaltecimento da ciência é crucial para a luta contra a evasão intelectual brasileiro.
Outro fator a ser abordado é a falta de oportunidades para pesquisadores brasileiros no setor privado nacional. No Brasil, o principal empregador de pesquisadores são as universidades públicas e institutos de pesquisa. Porém, tal setor se encontra saturado e, portanto, o setor privado se torna o objetivo primário dos profissionais científicos. Entretanto, de acordo com o relatório da Conferência das Nações Unidades para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o Brasil passa, atualmente, por um processo de desindustrialização. Nesse cenário, o país se torna pobre na oferta de empregos para profissionais qualificados e, portanto, são mais aproveitados em países com um polo industrial desenvolvido. Em resumo, o incentivo à reindustrialização brasileira é crucial para evitar a emigração laboral brasiliense.
Fica claro, portanto, que o combate à evasão da mão de obra qualificada no Brasil ainda precisa ser aprimorado. Para que isso aconteça, é necessário que o Ministério da ciência, tecnologia, inovação e comunicação em conjunto com o Ministério da educação incentivem a cultura de valorização à pesquisa científica nas escolas através de feiras de ciências e minicursos sobre o método científico a fim de criar um povo capaz de enxergar o valor do pesquisador. Além disso, é preciso que o governo inicie parcerias público-privadas com a finalidade de aumentar o polo industrial brasileiro e, com efeito, a oferta de empregos para indivíduos na área de pesquisa e desenvolvimento. Dessa forma, espera-se que o Brasil se torne um substrato rico para a germinação da ciência e do desenvolvimento.