Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 27/06/2020
Na obra ‘‘Utopia’’ de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. Conquanto, vê-se que atualmente, a negligência governamental em relação às áreas científicas, ainda se configura como um problema vigente na nossa sociedade. Tal cenário antagônico, oriunda-se tanto da falta de investimentos na área quanto da escassez de incentivos aos cientistas. Diante disto, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é importante ressaltar a atual posição do Brasil como nona maior economia mundial, desta forma, é racional pensar que problemas, como a falta de investimentos em áreas da ciência, seriam bem menos evidentes. Entretanto, a realidade é completamente a oposta, na qual os profissionais, muitas vezes, se vêem obrigados a tirar o dinheiro do próprio bolso para financiar suas pesquisas ou se deparam com a falta de equipamentos, vide a falta de investimentos. Tal conjuntura explicita a necessidade da reformulação estatal no que tange à ações para reverter este quadro deletério.
’’ No meio da caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’’, através deste trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade vê-se que a falta de incentivos se configura como um problema na vida de muitos cientistas brasileiros, que inclusive, impulsionou a saída de uma das maiores cientistas do nosso país, Suzana Herculano-Houzel, que em uma de suas alegações diz ter se cansado de um ambiente que incentiva a mediocridade. Não só a Suzana, como também diversos outros cientistas se vêem obrigados a procurar melhores condições em outros países, o que evidencia a imprescindibilidade da criação de mecanismos que coíbam tais recorrências.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço desta problemática. Destarte, com o intuito de mitigar o imbróglio, o Tribunal de Contas da União deve enviar capital que, por intermédio do Ministério da Educação e o Ministério da Cidadania, sejam criadas ‘‘bolsas auxílio’’, como incentivos, que irão servir de base para iniciação e apoio a pesquisas. Ademais, o Mec juntamente à comunidade científica brasileira, devem criar um plano de redistribuição de recursos e investimentos para as faculdades, de modo que os equipamentos e aparelhos necessários para as pesquisas estejam presentes. Deste modo, atenuar-se-á, de médio a longo prazo tais problemas na sociedade e a utopia de More, poderá ser alcançada.