Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 22/06/2020

O pedagogo Paulo Freire, na obra ‘‘Autonomia da Educação", declarou que é necessário ler o mundo, o qual o indivíduo está inserido, com a finalidade de compreender os emblemas que impedem o pleno desenvolvimento da educação. Nesse sentido, depreende-se, relacionado com os estudantes e professores que elaboram, sobretudo, pesquisas, a questão dos desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil. Desse modo, observa-se não só uma conjuntura que estimula tal cenário, como também uma dissonância perante os dispositivos constitucionais e a realidade exposta.

A princípio,  verifica-se, segundo os relatos da historiadora Lilian Schwarcz, que o conhecimento, no Brasil, era destinado apenas a uma pequena parcela da população, a elite colonial. Na contemporaneidade, no que lhe concerne, nota-se que, mesmo com a criação e ampliação do ensino público, a ótica colonial que dificulta o pensamento educacional amplo, ainda, sobrevive no cenário brasileiro. Prova disso, é a permanência do ensino tecnicista no seio escolar que sobrepuja, por exemplo, a pedagogia libertadora- uma alusão ao estímulo de habilidades cognitivas do aluno- defendida por Paulo Freire. Dessa maneira, percebe-se que a conjuntura imposta à sociedade acadêmica, certamente, contribui para a fuga de cérebros no Brasil.

Outrossim, o filósofo Henrique de Lima, no ‘‘Enigma da Modernidade", elucida que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Tanto que pode-se traçar um paralelo entre a Constituição Cidadã- a qual sugere que é dever do Estado incentivar a capacitação científica- e a realidade que demonstra uma contrariedade, seja pela falta de investimento financeiro que fomente a pesquisa, seja pela inoperância dos governantes na produção de ações que transformem esse panorama. À vista disso, constata-se uma não consonância ante aos direitos estabelecidos na Carta Magna e a narrativa factual.

Logo, é imperativo que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva políticas públicas, por meio de verbas governamentais, com o intuito de mitigar a fuga de cérebros no Brasil. Assim, é imprescindível que esses programas sejam feitos da seguinte forma: realizar campanhas publicitárias, aliada à mídia televisiva, que relate, mediante o depoimento de pedagogos, a importância de uma grade curricular menos tecnicista; destinar verbas para o desenvolvimento científico em universidades, com a utilização de um mapeamento logístico que indique as pesquisas e os recursos financeiros necessários. Dessa forma, resolver-se-ão os desafios oriundos da leitura dessa questão no tecido social brasileiro.