Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 03/07/2020
O Positivismo foi uma corrente sociológica criada por Auguste Comte no século XIX, a qual supervalorizava a ciência, considerando esta como intermédio essencial para a evolução da sociedade. Já, no Brasil do século XXI, verifica-se o oposto do que o ideário positivista propõe por causa do setor científico incipiente e deficitário, o qual é sintoma da fuga de cérebros. Nesse contexto, dois aspectos se destacam como desafios no combate a essa problemática: a desvalorização da ciência e a consequente lacuna nos investimentos estatais.
De início, cabe elucidar o descaso para com a ciência no Brasil. Sob esse ângulo, é preciso entender que, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade é marcada pelo imediatismo e pela superficialidade. Em meio a isso, haja vista que o conhecimento científico é uma sapiência que precisa de tempo e dedicação - como, por exemplo, o Projeto Genoma Humano, que demorou 13 anos para mapear o DNA do ser humano -, explica-se sua depreciação na sociedade. Em síntese, o corpo social contemporâneo é, majoritariamente, imediatista e isso dificulta a apreciação da cultura científica.
Em função disso, os cientistas não recebem, do governo, o devido reconhecimento de sua importância. Nesse sentido, não só os investimentos estatais são insuficientes, mas também são comuns os cortes orçamentários no Brasil, o que torna difícil, cada vez mais, conseguir apoio financeiro para o desenvolvimento de pesquisas. Prova disso foi o congelamento, em 2019, de 42% das despesas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC). Dessa forma, infere-se que é desestimulante seguir a carreira científica no Estado brasileiro, o que fomenta a saída de pesquisadores e estudiosos do país.
Portanto, observa-se que a desvalorização do conhecimento científico e seus desdobramentos negativos para o âmbito tecnológico são obstáculos na mitigação da fuga de cérebros no Brasil. Por conseguinte, é imperioso que o MCTIC invista nas universidades - pois as instituições acadêmicas são, no Brasil, os principais tecnopolos legitimados e produtivos -, por meio do oferecimento de mais bolsas para os pesquisadores interessados e da desburocratização de financiamentos para pesquisas, a fim de incentivar e reconhecer a ciência como importante ferramenta. Assim, a valorização científica, proposta pelo positivismo, será incutida na sociedade brasileira e a fuga de cérebros será atenuada.