Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 08/07/2020

Marcelo Gleiser, físico e astrônomo brasileiro, foi contemplado com o “Prêmio Templeton” devido a sua obra dedicada ao trabalho de refletir a ciência e espiritualidade e expor suas ideias ao público em seus livros. Sob essa ótica, Marcelo é um dos muitos brasileiros reconhecidos fora e tão desconhecidos pelo próprio povo, fato que reflete o grande descaso do país com suas mentes brilhantes. No que tange à fuga de cérebros no Brasil, há um grande descaso do próprio Estado na promoção de maiores investimentos em áreas de pesquisa e tecnologia. Além disso, as instituições brasileiras incapacitaram a população a ter maior contato com a produção científica, o que levou a um desinteresse massivo pelas personalidades brilhantes.

O Estado brasileiro não incentiva grandes gastos em produção científica e tecnológica, indo de encontro à dinâmica mundial. Nesse sentido, o Brasil desde os tempos coloniais se pautou na extração mineral e agropecuária, e isso nunca se alterou após as Revoluções Industriais, uma vez que, ainda hoje a maior fonte de renda e investimento é proveniente da agricultura e mineração. Dessa forma, a produção tecnológica é extremamente voltada à essas duas modalidades e os investimentos em pesquisas científica em outras áreas são enxutos por não serem vistos como rentáveis a curto prazo.

Ademais, há um fator alarmante que se relaciona à cultura nacional, isto é , as instituições de ensino e culturais não levaram o povo mais próximo ao conhecimento científico para serem incluídos nos debate e valorizarem os cérebros brasileiros. Nesse viés, na América do Norte e Europa houve uma popularização de grandes estudiosos como Carl Sagan, Stephen Hawking e Neil deGrasse Tyson, devido a divulgação dessas personalidades em séries,filmes e livros instigando a população a se interessar por temas tidos como impossíveis para leigos. Dessa forma, o distanciamento entre a ciência e a cultura é desvalorizar o cientista e alienar povo.

Dado o exposto, é necessário uma atuação do Ministério da Educação, por intermédio das instituições de ensino , na promoção da imersão de jovens alunos no universo acadêmico em comunhão com temas da cultura pop. Por esse ângulo, as escolas poderão promover visitas em planetários, laboratórios, museus e palestras de grandes pesquisadores brasileiros que ainda são pouco reconhecidos.Com isso, as instituições de ensino poderão relacionar esses assuntos com temas da cultura pop tais como séries, filmes, músicas e livros, o que irá dinamizar e facilitar os estudos, além de enaltecer culturalmente a ciência e a educação. Só assim, personalidades como Marcelo Gleiser serão valorizadas, a ciência será democratizada e cada vez mais cérebros surgirão sem o desconforto de terem seus trabalhos menosprezados.