Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 20/08/2020
Conforme a Constituição brasileira, a pesquisa científica básica e tecnológica é dever e prioridade do Estado. Todavia, o sistema educacional brasileiro, em especial o ensino superior, carece cada vez mais de investimentos financeiros por parte do governo. Tal desvalorização das instituições de ensino acarreta, consequentemente, a diáspora de profissionais altamente qualificados, que buscam no âmbito internacional apoio para desenvolver seus estudos e pesquisas. Diante disso, é imperioso analisar os desafios para combater a fuga de cérebros no Brasil no que tange ao setor público e à opinião popular.
Nesse contexto, verifica-se a falta de investimento em uma indústria voltada para a produção acadêmica por meio da esfera pública. Acerca disso, é pertinente citar a fala de Bruno Martorelli, microbiólogo brasileiro, que relata a falta de insumos nos laboratórios brasileiros de forma que é necessário, muitas vezes, exportar os materiais do exterior. Esse processo, entretanto, além de ter altos custos, visto que os produtos são comprados em euro ou em dólar, também é demorado, uma vez que, o produto poder ficar meses preso na alfândega o que inviabiliza o trabalho dos cientistas no país. Logo, é vital o desenvolvimento de um mercado voltado para a produção de insumos utilizados nas pesquisas acadêmicas.
Sob outro prisma, o desapreço em relação à produção científica advinda da própria população é fator determinante para a persistência da problemática. Tal lógica é comprovada pelo pesquisador brasileiro supracitado, que afirma que a opinião pública do Brasil tende a desconfiar da ciência. Isso ocorre porque há uma descrença no financiamento da ciência como algo positivo e favorável, o que faz com que os cidadãos não cobrem do Estado maiores investimentos na educação e desvalorizem toda a produção científica produzida no Brasil. Torna-se clara, assim, a necessidade de despertar na consciência do brasileiro a importância da ciência para o desenvolvimento da nação.
Diante dos fatos apresentados infere-se, destarte, que a falta de investimento nas universidades por parte do governo e a opinião popular contrária ao desenvolvimento científico dificulta o combate ao fenômeno da fuga de cérebros. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com o Superministério da Economia, fornecer os materiais e equipamentos necessários às instituições de ensino superior por intermédio da criação de empresas nacionais, a fim de facilitar a produção científica. Além disso, as universidades devem, por meio de projetos de extensão, apresentar à comunidade civil todo o trabalho desenvolvido no espaço acadêmico com o objetivo de fomentar no imaginário dos indivíduos o apreço pela ciência. Feito isso, ocorrerá a devida valorização do cientista brasileiro, que não precisará buscar em outro país oportunidades de desenvolver o seu trabalho.