Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 18/07/2020
O romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, retrata a história de Bento Santiago, um jovem que, aos 15 anos, foi enviado para um seminário em outra cidade, longe de sua família e amigos, em busca de melhores condições de educação. Embora se passe no século XIX, tal problema ainda é recorrente na hodiernidade, com várias pessoas sendo obrigadas a migrar para outros países que possuam mais oportunidades de trabalho, como o observado no fenômeno da fuga de cérebros no país. Faz-se necessário, portanto, debater as causas e consequências da questão, a fim de atenuá-la.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que levam milhares de profissionais a optar por migrar para países desenvolvidos, como a desvalorização da ciência em território nacional e os baixos investimentos na área, por exemplo. De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia, apenas 25% dos brasileiros tem doutorado e, 35% dos que tem mestrado estão desempregados. Tais dados comprovam como, mesmo com anos de estudo e preparação, muitos profissionais continuam sem empregos, o que os leva a priorizar o mercado externo, acentuando a problemática.
Por conseguinte, ainda convém lembrar as consequências do entrave, como a desmotivação provocada em jovens sobre cursar tais áreas. Ao observar a depreciação sofrida por cientistas em todo o território nacional, muitos dos jovens que optariam por tais cursos acabam desistindo, o que gera um ciclo vicioso, ao passo que a baixa inserção da população influencia na baixa quantidade de verbas direcionadas ao setor. Segundo as ideias de Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Assim, a falta de incentivos governamentais e midiáticos pode aumentar o problema, dificultando a ampliação da importância dada ao grupo.
É perceptível, dessa forma, como a fuga de cérebros é um contratempo na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que o Governo auxilie os cientistas, por meio da maior disponibilização de verbas aos setores de pesquisas, direcionando o dinheiro para compra de materiais e manutenção de laboratórios, a fim de dar ao grupo todo o suporte necessário para que permaneçam em território nacional. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, introduza em filmes e novelas a temátia dos estudos e das realizações feitas por cientistas nacionais, a fim de reverter a opinião negativa formada sobre tais grupos e para influenciar jovens a seguir tais carreiras. Dessa maneira, será possível minimizar a problemática, para que os desafios enfrentados por Bentinho, no romance de Machado de Assis, permaneçam apenas na ficção.