Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/07/2020

Ao fazer uma análise histórica, percebe-se que o Brasil sempre possuiu seu desenvolvimento tardio em relação ao resto do mundo. Sendo assim, do mesmo modo que a nação brasileira teve sua industrialização dois séculos após a primeira Revolução Industrial, o país ainda se encontra atrás do crescimento tecnológico mundial. Esse cenário faz com que pesquisadores brasileiros busquem melhores condições de estudo em lugares a fora, fenômeno esse chamado de fuga de cérebros.

Nesse nicho, como fala o pensador e jurista contemporâneo, Raúl Zaffaroni, o Estado possui parcela da culpa das mazelas que envolvem a nação. Em comparação ao discurso, também a morosidade e o aparente desinteresse governamental têm garantido a manutenção da constante saída de jovens estudiosos do país. Visto isso, a situação acima assim se procede, uma vez que, mesmo passado um século da modernização do Brasil e ainda que possuindo uma economia com renda de trilhões de reais(PIB), como informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), escassas foram as ações para incentivar e melhorar a qualidade do estudo científico e tecnológico. Tendo isso em mente, ao contrário de tentar reverter o quadro exposto, o poder estatal tem tirado gradativamente a verba destinada ao Ministério da Tecnologia desde as presidências do PT,como divulga a revista Você S/A.

Por conseguinte, a problemática dificulta a coesão social que segundo Émile Durkheim, acontece quando cada setor da sociedade trabalha corretamente promovendo uma boa organização do todo. Logo, percebe-se que se alguma “engrenagem” não funcionar, toda a “máquina” social desanda. Dessa mesma forma, essa relação é observada com a fuga de cérebros no Brasil, haja vista que o déficit que o país possui, devido ao seu desenvolvimento tardio, poderia ser suprido com o avanço de pesquisadores em território nacional. Desse modo, se assim se sucedesse, o conhecimento e tecnologia produzidos poderiam ser usados na própria nação, como por exemplo, na área da saúde, como cura e tratamento de doenças. No entanto, o cenário visto é diferente e a saída de profissionais cresceu em torno de 150% de 2011 para 2017, segundo professor da Unicamp, Fernando Nogueira.

Portanto, é imprescindível ressaltar que o Estado deve aumentar a verba destinada ao Ministério da Tecnologia e esse último, por sua vez, deve garantir a persistência de estudiosos no país, por meio da utilização de sua reserva financeira na compra de melhores aparelhos de pesquisas e criação de centros científicos. Assim como, por intermédio do investimento na melhora da infraestrutura de universidades, que formarão futuros profissionais e cientistas, e incentivo na contratação de bons professores para trabalharem nessas faculdades e formarem bons alunos. Tudo isso deve ser feito para que a nação possa crescer e para que seus jovens recebam uma boa formação.