Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 30/07/2020

No início da Idade Moderna, até o final do século XVIII, ocorreu a diáspora africana, em que houve a imigração forçada de pessoas vindas do continente africano para servirem escravos, principalmente nas Américas, com isso, culturas, costumes e vidas foram perdidas, deixando um grande prejuízo para a humanidade. Apesar do diferente contexto, é possível fazer uma analogia com a contemporaneidade, uma vez que há uma diáspora de profissionais brasileiros que procuram ambientes mais favoráveis para exercerem seus trabalhos. Embora a emigração não seja por razões escravistas, fatores políticos e econômicos assumem esse papel, desfavorecendo a ciência e a inovação no país.

Em primeira análise, é evidente que, no Brasil, o incentivo para profissionais exercerem seus ofícios é cada vez mais escasso, consequentemente, a emigração para países mais desenvolvidos torna-se progressiva. Essa afirmação é evidenciada quando comparados dados da Receita Federal quanto a saída de profissionais qualificados para os Estados Unidos, que, em 2011, eram cerca de 8 mil pessoas, e, em 2017, esse número subiu para mais de 10 mil. Essas saídas prejudicam o desenvolvimento brasileiro, de modo que, as inovações oriundas desses cientistas, somente serão implantadas no Brasil após serem disseminadas pelo mundo, como resultado há a estagnação da ciência e o consequente atraso tecnológico o país.

Em segunda análise, a educação de jovens cientistas, que ainda ingressarão no mercado de trabalho, é imprescindível. Contudo, esses jovens, ao deixem o ambiente universitário, deparam-se com um cenário científico que desestimula a inovação, suscitando na fuga de cérebros. Análogo á ideia o economista britânico William Arthur Lewis, de que a educação sempre foi um investimento com garantia de retorno, e não uma despesa, é possível afirmar que o investimento no setor de pesquisas também há retorno garantido, porém com os recentes cortes nas bolsas de pesquisa e o baixo valor disponível para a realização delas, o Brasil diverge de países desenvolvidos, permitindo o êxodo de profissionais em busca de melhores oportunidades.

Portanto, conclui-se que a crescente emigração de cérebros do Brasil está intrinsecamente ligada ao desincentivo à ciência. Entretanto, medidas podem ser tomadas para reverter esse quadro. Por isso, cade ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pelo desenvolvimento científico do país aumentar a verba disponível para pesquisas, sendo uma parcela destinada para o incentivo monetário aos pesquisadores, e outra, para aumentar os recursos disponíveis para a realização delas, como objetivo o incentivo à inovação. Feito isso, o Brasil se tornará um lugar mais atrativo para o desenvolvimento científico.