Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/08/2020

De acordo com a Primeira Lei de Newton, um corpo tende a ficar parado ou em movimento retilíneo e uniforme, se nenhuma força agir sobre ele. Fora da física, percebe-se a mesma situação no concerne o problema da fuga de cérebros, que, no Brasil, segue como um empecilho para o desenvolvimento nacional. Dessa forma, é necessário compreender como a negligência estatal e a desvalorização fomentam tal problemática.

Primeiramente, é preciso destacar a desatenção governamental como um dos pilares da saída de talentos. Nesse sentido, existe um anacronismo no direcionamento de verbas para a pesquisa científica, de acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), as bolsas de mestrado são R$ 1.500,00, sendo que o discente não pode ter contrato de trabalho ativo. Convém lembrar ainda que o país não possui uma legislação trabalhista para o pesquisador, que passa em média onze anos estudando sem direitos previdenciários. Dessa forma, a falta de financiamento e de direitos, cria um cenário de repulsão, causando um êxodo para áreas com melhores condições.       Somado a isso, a formação continuada ainda não recebe uma valorização no setor privado. Nesse contexto, para Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação fez dele”. No entanto, as ideias do filósofo destoam da realidade, haja vista que as empresas, na maioria dos casos, não incentivam a formação dos colaboradores, buscando indivíduos menos escolarizados para reduzir custos. Prova disso, são os dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, que apontam um índice de 35% de desemprego, entre mestres, um número superior aos 2% dos países desenvolvidos. De fato, o habitat brasileiro não é favorável ao pesquisador, demonstrando a necessidade de intervenção imediata.

Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas, a fim de minimizar a perda de talentos. Nessa perspectiva, o Ministério do Trabalho pode modificar a legislação, determinando os direitos e deveres do pesquisador, de forma a garantir um valor mínimo de subsídios, de acordo com a pesquisa realizada, além de assegurar os direitos previdenciários. Ademais, o Executivo, pode fomentar a formação continuada, por meio de incentivos fiscais a empresas privadas, selecionadas levando em consideração a formulação de planos de carreira pautados na formação. Dessa forma, modificando essa inercial problemática.