Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/07/2020

Durante a Terceira Revolução Industrial, o conhecimento empregado passou a ter significativa relevância no custo de venda da mercadoria, uma vez que a ciência é o pilar da sociedade contemporânea. Entretanto, no Brasil, o conhecimento científico ainda está à margem dos interesses do Estado e da sociedade. Dessa forma, agrava-se a emigração de jovens cientistas. Isso ocorre devido aos baixos investimentos do Estado em produção tecnológica e a desvalorização do papel do pesquisador no país.

É relevante abordar, primeiramente, os baixos investimentos do Governo Federal nas universidades públicas do país, as quais são as principais responsáveis pela produção de conhecimento. Nessa perspectiva, consoante dados do G1 o Brasil investe três vezes menos em educação de nível superior do que países desenvolvidos,como, a Coréia do Sul, a qual é destaque no ensino e na produção de tecnologia no mundo. Logo, agrava-se a situação de marginalidade a qual o país esta inserido, isto é, a baixa produção científica brasileira além de perpetuar o atraso e a dependência tecnológica com os outros países, também, dificulta a absorção de mão de obra altamente especializada pelo mercado de trabalho. Assim, aqueles que poderiam agregar conhecimento à  nação contribuem para o progresso estrangeiro.

Ademais, é válido salientar a desvalorização da ciência no Brasil. Essa situação é evidenciada no atual cenário do país, em que discursos que valorizam remédios como a Hidroxicloroquina e a Cloroquina, as quais seriam a suposta cura para a “Covid-19”, são altamente difundidas pela sociedade, apesar das inúmeras críticas de médicos e especialistas na área. Nesse sentido, situação semelhante ocorreu em 1904, movimento que ficou conhecido como “Revolta da Vacina’’, em que a população do Rio de Janeiro atuou de forma contrária à obrigatoriedade da vacinação, haja vista a ignorância e a insegurança. Assim, o papel do pesquisador é menosprezado por falsos “profetas’’ e charlatões, agravando a ‘‘fuga de cérebros’’ do país e efetivando à histórica dependência tecnológica.

Para amenizar os impactos da fuga de cérebros do Brasil, portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com as universidades públicas, aumentar o investimento per capita nas instituições de ensino superior do país, mediante uma PEC  que torne obrigatório o investimento percentual relevante no setor, de forma que o atual e os futuros governos sejam impedidos de realizarem cortes arbitrários na Educação, afim de valorizar a pesquisa no país. Além do mais, é imprescindível que o Ministério da  Ciência e Tecnologia, com a ajuda de Digitais Influencers, desenvolva campanhas publicitárias que visem valorizar o  papel do cientista. Assim, será possível conter a emigração de gênios do Brasil.