Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 28/07/2020
No filme “Bacurau”, que se passa em uma cidade fictícia do interior de Pernambuco, no enterro da personagem Carmelita, um de seus filhos comenta que, alguns de seus irmãos que possuem graduação em nível superior, estão vivendo em outro país. Nessa cena, tem-se um clássico exemplo da fuga de cérebros que vêm ocorrendo de modo cada vez mais significativo no Brasil. No entanto, esse cenário não se limita às produções cinematográficas. O país passa por uma onda de emigração de pessoas capacitadas, que vão em busca de um maior reconhecimento pelo seu trabalho, o que pode ocasionar uma insuficiência na produção de pesquisas que poderiam desenvolver o país.
Em um primeiro plano, de acordo com dados da Receita Federal, em comparação com o ano de 2011, no ano de 2017, mais de 13000 pessoas qualificadas deixaram definitivamente o país. Esse aumento no número da saída de indivíduos capacitados ocorreu, dentre vários motivos, devido à falta de investimentos por parte do Governo Federal na área de pesquisas, o que levou, por exemplo, ao fechamento de muitos centros de tecnologia das universidades federais do país, que poderiam ser utilizados para o desenvolvimento de projetos. Além disso, o Brasil passa por uma onde de descrença na ciência, causada pelo obscurantismo, que faz com que parte da população brasileira não aceite resultados que foram comprovados por meio do método científico e também leva as pessoas a atacarem as universidades, o que acaba desmotivando os pesquisadores e cientistas. Esse cenário leva-os a procurarem locais que as pessoas valorizem mais as suas produções e em que o governo invista nos projetos de pesquisa
Geralmente, esses pesquisadores e cientistas procuram locais, como por exemplo o Silicon Valley (Vale do Silício) nos Estados Unidos, um importante polo tecnológico desse país, que se desenvolveu no contexto da Terceira Revolução Industrial e que apresenta uma boa infraestrutura para a continuação da pesquisas dessas pessoas que optaram por deixar o Brasil. Isso pode ocasionar problemas para o contexto nacional, pois esses projetos, que deveriam ser desenvolvidos para fomentar a produção científica nacional, e, consequentemente, desenvolver o país, acabam por ficar nas mãos daqueles países para os quais os pesquisadores se dirigiram.
Portanto, é necessário que o Governo, por meio do Ministério da Educação, destine investimentos para a área de pesquisa e inovação, para que a fuga de cérebros, como está presente no filme “Bacurau”, seja amenizada e produção científica nacional seja valorizada, por meio da elaboração de emendas constitucionais que visem, por exemplo, o aumento no valor da verba que é repassada para as Universidades Federais, para que elas possam fomentar a pesquisa e a inovação.