Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 12/08/2020

O historiador israelense Yuval Harari, em sua obra Homo Deus, já refletia que, hoje em dia, a principal fonte de riqueza de uma nação é o conhecimento. Analisando tal consideração, percebe-se um cenário problemático de não reconhecimento da importância de se ter a riqueza citada quando observa-se a realidade do Brasil, país que enfrenta uma fuga de cérebros - a qual significa uma emigração em massa, por conta diversos fatores, de pessoas com aptidões técnicas e conhecimentos científicos - cada vez mais crescente. Portanto, considerando os benefícios de manter cientistas e pesquisadores dentro do país e os impactos econômicos e sociais do fenômeno em pauta, deve-se superar os desafios que cercam o combate à fuga de cérebros no Brasil.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a falta de incentivo à pesquisas na nação brasileira contribui para a saída de indivíduos qualificados. Nesse contexto, é pertinente citar uma entrevista  da revista Piauí com Suzana Herculano-Houzel, pesquisadora brasileira de importância mundial que deixou uma universidade no Brasil por uma outra nos Estados Unidos porque, segundo ela, havia falta de recursos econômicos para pesquisas e desesperança para seguir carreira científica no seu país natal. Isso mostra o grave erro e uma contradição cometidos pelo Estado brasileiro quando esse desestimula futuros agentes potencializadores da economia, da cultura e do desenvolvimento brasileiros, impedindo o próprio país de evoluir internamente e prejudicando, em vários níveis sociais, a população.

Em segundo lugar, cabe salientar que as deficiências nas escolas públicas no Brasil influencia em demasiado o fenômeno em discussão. A fim de entender tal ideia, vale recorrer ao documentário “Pro dia nascer feliz”, obra brasileira que retrata a difícil realidade enfrentada pelos estudantes de ensino público, que sofrem da falta de diversos meios para o aprendizado, como livros, professores e infraestrutura escolar. A partir dessa película, percebe-se que sem tais recursos fundamentais - os quais o país, como a obra mostrou, não investe corretamente - não é possível oferecer o devido estímulo a estudantes que têm potencial para tornarem-se grandes profissionais no ramo científico, deixando-os ir em busca de oportunidades em outros países e atrasando o progresso nacional.

Por conseguinte, deve-se tomar medidas que enfrentem tais desafios. Para isso, cabe a participação do Governo Federal no desenvolvimento de programas de incentivo à pesquisas dentro das Universidades Federais - como criação de bolsas e projetos com grande apoio financeiro -, além de melhorias nas estruturas das escolas públicas pelos governos dos estados e dos municípios. Tais medidas podem ser feitas por meio do fornecimento de verbas e recursos pela União. Dessa forma, ter-se-á o devido e efetivo combate da fuga de cérebros no Brasil.