Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 14/08/2020
De acordo com Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, entende-se como fundamental a consolidação de uma vida acadêmica para a construção de um bom indivíduo, evidenciando que a problemática da saída de pesquisadores do Brasil encontra-se como um entrave no contexto educacional atual. Assim, há a estruturação de uma conjuntura, causada não só pela falta de investimento nas pesquisas científicas, mas também pela cultura da desvalorização da educação.
Inicialmente, é válido ressaltar a questão da ausência de capital para o financiamento de estudos científicos no Brasil. Isto é, na série televisiva “Scorpion”, um grupo de super gênios é contratado pelo governo com o objetivo de solucionar os mais complexos paradigmas do mundo hodierno. Nessa perspectiva, tem-se a supervalorização da mente humana no contexto ficcional, mas que se contrapõe a realidade contemporânea, uma vez que o Estado, ao não destinar recursos para o desenvolvimento científico brasileiro, impede a consolidação de equipes capacitadas no território, tal como ocorre na trama. Desse modo, o conhecimento técnico-científico informacional é retardado e, por sua vez, a dependência da produção acadêmica estrangeira aumenta no Brasil.
Além disso, é importante mencionar a problemática da cultura de desvalorização da educação no Brasil. Exemplo disso é visto no programa “Glee”, no qual é abordado a maneira como os alunos do clube do coral são desestimulados pelo corpo docente a desenvolverem suas habilidades com a música. Fora da ficção, sabe-se que no âmbito educacional brasileiro essa irrelevância também ocorre, visto que a sociedade, ao internalizar e replicar a conduta de menosprezo da importância da educação na vida dos jovens, limita seu interesse pelas áreas de estudo científico – o que leva à precariedade da ciência no território. Logo, há uma inadimplência constitucional no que tange ao acesso à educação de qualidade, fato que carece de uma intervenção estatal.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para a dissolução dessa conjuntura. Para tal, o Ministério da Educação deve, por meio de verbas do Tribunal de Contas da União, investir nas pesquisas científicas e na educação, a fim de impedir a fuga de estudiosos do Brasil. Esses investimentos promoveriam uma maior qualidade e precisão nos estudos acadêmicos, assim como garantiriam um maior desenvolvimento do país, tal que profissionais competentes estariam em território nacional construindo conhecimento capaz de gerar destaque no âmbito internacional. Além disso, deve-se destinar capital para as escolas e universidades, estimulando a pesquisa científica e a valorização da educação brasileira. Por conseguinte, a saída de pesquisadores seria impedida e o pensamento de Kant se tornaria vigente na contemporaneidade.