Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 18/08/2020
Em “A República”, o filósofo Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas, em que o povo trabalha em conjunto para superar todos os impasses. Fora da produção literária, com ênfase na sociedade brasileira, nota-se o oposto das ideias de Platão, uma vez que a fuga de cérebros no Brasil apresenta desafios de grandes proporções. Com efeito, faz-se vital analisar as principais causas da problemática, a qual persiste influenciada pela ausência do Estado e insuficiente incentivo a pesquisas. Em primeira análise, é fundamental observar a omissão estatal como fator dificultador. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir o bem-estar comum. Contudo, devido à falta de atuação dos escalões de governança, a saída de profissionais qualificados do país - em busca de melhores oportunidades e reconhecimento - inibe o avanço da ciência nacional. Dessa maneira, a estabilidade social é mitigada e garantidas básicas cerceadas.
Em segunda análise, nota-se que a falta de incentivo à ciência dificultamo desenlace da questão. Destarte, “Na desvalorização do passado está implícita uma justificativa da nulidade do presente.” Assim, é indubitável que a depreciação da ciência, atualmente, contribui com a crise no desenvolvimento do Brasil, pois, como afirmou Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo.” Logo, faz-se necessário um país favorável à ciência, de forma a valorizar o capital intelectual e incentivá-lo.
Urge, pois, que medidas sejam adotadas para a mitigação do problema. Desse modo, cabe ao Poder Legislativo - no exercício de sua função constitucional - a elaboração de uma lei, por meio de discussões em cada Casa do Congresso Nacional, que vise à aplicação de recursos anuais em Universidades e Tecnopolos, a fim de locupletar o conhecimento local e oferecer oportunidades e descobertas no ramo da ciência - valorizando e reconhecendo os atuantes desse meio - de modo a acarretar o desenvolvimento do país e o aprimoramento de mecanismos já existentes, pois, como escreveu Hannah Arendt, “ A pluralidade é a lei da terra.”