Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 05/10/2020
Desde o começo do século XXI, países em desenvolvimento estiveram experienciando um fenômeno conhecido como “fuga de cérebros”, isto é, o movimento de emigração de profissionais formados, majoritariamente do ramo tecnológico e científico, que saem de seu país de origem em busca de melhores condições de emprego em países desenvolvidos. Nesse contexto, é evidente que, infelizmente, no Brasil, esse fluxo de imigrantes se dá pela mentalidade ignorante da sociedade brasileira e pelo descaso das autoridades governamentais, que dificultam o desenvolvimento da indústria nacional.
Primeiramente, é preciso analisar o porquê da mentalidade da sociedade brasileira ser um problema no combate à emigração de profissionais. Historicamente, o Brasil sempre possuiu um grande déficit escolar, propiciado pelas desigualdades econômicas e sociais, desde o seu estabelecimento em 1822. Essa deficiência histórica de educação moldou o senso comum brasileiro em questão do trabalho acadêmico, retratando-o como algo “importado” de outros países, o que diminui o apoio popular ao trabalho de profissionais da áreas de pesquisa e desenvolvimento e, por conseguinte, gerou um descaso generalizado por eles no país.
Ademais, é pertinente citar a falta de investimentos como um segundo fator de agravamento na problemática da saída de profissionais. Segundo uma pesquisa realizada pelos Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento em 2018, o Brasil investe apenas 1,26% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, diferentemente de países como os Estados Unidos e a China, comumente escolhidos como ponto de destino, que investem mais de 2% de seus PIBs na mesma área. Isso demonstra o descaso do governo para com esses profissionais, que se encontram sem recursos para continuar suas pesquisas e, consequentemente, impedem o país de progredir economicamente.
Portanto, é necessário que ações sejam tomadas para diminuir o número de profissionais emigrantes no Brasil. Cabe ao Governo Federal, em parceria com as instituições de ensino superior, aumentar os investimentos na área de desenvolvimento científico e tecnológico, por meio da implementação de um conjunto de ações que promovam o envolvimento de financiadores da iniciativa privada e de companhias internacionais na produção de pesquisas acadêmicas nacionais. É preciso, também, que a mídia, por meio de propagandas, desconstrua os preconceitos relacionados ao trabalho acadêmico, a fim de promover uma mentalidade positiva sobre o trabalho de profissionais da área de pesquisa. Dessa forma, será possível frear a “fuga de cérebros” no Brasil.