Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 29/10/2020

Diferentemente das colônias espanholas, que já possuíam universidades desde o século XVI, o Brasil só obteve as suas primeiras escolas superiores com a chegada da família real portuguesa em 1808, dependendo anteriormente dos profissionais que iam estudar em Coimbra. Partindo do passado para o presente, o país continua desvalorizando a sua ciência ao não oferecer bolsas que garantam a subsistência do pesquisador e nem um plano profissional para estes, o que os faz preferir oportunidades em outros países, gerando o fenômeno conhecido com a fuga de cérebros no Brasil.

Um cidadão que sonhe em ser um cientista no Brasil terá grandes desafios pela frente, pois, além da falta de estrutura física de muitas universidades pelo país, as bolsas de mestrado e doutorado tiveram seu valor ajustado apenas pela inflação até 2013, apesar das crises econômicas e aumento do custo de vida que afetaram o país desde então. Quando, em 2020, foi decretado a atualização do salário mínimo brasileiro em mil e quarenta e cinco reais, um doutorando no Brasil terá um auxílio de valor equivalente a pouco mais do que dois salários mínimos, mesmo fazendo parte da mão de obra mais especializada do país. Para piorar esta situação, a política de austeridade do atual governo fez universidades por todo o país cortarem bolsas e fazendo do Brasil, segundo a revista Galileu, um país que investe anualmente em ciência menos do que Ruanda, país africano com o Produto Interno Bruto consideravelmente menor que o brasileiro.

Além disso, há poucos caminhos profissionais para os pesquisadores brasileiros para além da docência no ensino superior, pois instituições voltadas para a pesquisa, como a Agência Espacial Brasileira e a Fundação Oswaldo Cruz atendem a poucas áreas e sofrem constantemente com cortes de verbas. Agravando a situação, mesmo que estes especialistas queiram seguir o caminho da docência, as universidades brasileiras não conseguem absorver a quantidade de mestres e doutores qualificados no país, fazendo o desemprego ser uma realidade para 25 por cento daqueles com pós-graduação, segundo o jornal Correio Braziliense. Neste sentido, o cientista brasileiro possui poucos incentivos para ficar no Brasil ou até mesmo continuar a seguir uma carreira científica.

Neste contexto, se faz necessário que o Ministério da Educação, através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ajuste os valores das bolsas de pós-graduação não apenas pela inflação, mas também pensando nos custos de vida necessários para morar nas grandes metrópoles brasileiras e com um valor competitivo com os auxílios oferecidos pelas instituições estrangeiras, para que seja possível oferecer uma qualidade de vida ao pesquisador brasileiro e dê a ele incentivos para que continue produzindo ciência e inovação no seu país de origem.