Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 23/08/2020

Em meados do século XX, sob o contexto de ascensão do nazismo, na Alemanha, o cientista Albert Einstein, cuja família era judia, migrou para os Estados Unidos, onde pôde prosseguir com suas pesquisas. De maneira análoga, é possível estabelecer a relação entre a inospitalidade de um local e a fuga de cérebros dele. Dessa forma, devido à desvalorização social bem como a falta de recursos, evidenciam-se os desafios no combate a essa fuga se estendendo à realidade brasileira atual.

À vista disso, destaca-se o movimento de pós-verdade, consagrado pela Universidade de Oxford, como a palavra do ano de 2016. Ou seja, um momento no qual a ciência e os fatos possuem menos influência que os apelos emocionais às crenças individuais. Nesse sentido, observa-se técnicas de controle de opinião superarem a razão, levando à desvalorização, quiçá, estigmatização da pesquisa científica brasileira e de quem a faz.

Ademais, tal desinteresse popular é refletido, na esfera política, através do descaso e falta de investimentos que financiem a produção científica. Sob esse viés, percebe-se a ciência, no Brasil, em um papel de secundária importância, confluindo para a saída de cientistas do país em busca de oportunidades. A exemplo disso, ressalta-se a neurocientista Suzana Herculano-Houzel que, em carta, caracteriza o quadro brasileiro como agonizante, motivo pelo qual deixou a Universidade Federa do Rio de Janeiro pela Universidade Vanderbilt nos Estados Unidos.

Nesse ínterim, urge, pois, mudanças profundas com o fito de combater a fuga de cérebros no Brasil. Por conseguinte, é inerente ao Governo Federal, detentor do poder máximo, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, políticas de redistribuição de recursos, para que a parcela de pesquisadores seja contemplada. Concomitantemente, cabe à Secretaria de Propaganda, o desenvolvimento de campanhas de incentivo à ciência, propiciando, assim, um ambiente próspero de renascimento da pesquisa brasileira. Destarte, somente a partir de resoluções pró-cientistas, ter-se-ão as condições “sine quibus non” de florescimento da ciência, no Brasil, sem que esses cérebros sejam forçadamente exportados.