Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 28/08/2020
De acordo com a revista Exame (22/01/2020), o Brasil saiu da posição 45º em 2019 para a 70º posição em 2020 no quesito fuga de cérebros, em uma pesquisa realizada pela Insead, no Fórum Econômico Mundial (FEM). Essa situação remete à ausência de investimentos do país em ciência.
Primeiramente, é necessário atentar-se para a porcentagem de pessoas que possuem mestrado e doutorado no Brasil e estão desempregadas. Conforme levantamento do Ministério da Ciência, em 2014, 25% dos brasileiros com doutorado e 35% dos que têm mestrado estavam desempregados. Logo, fica evidente que apesar do país proporcionar a formação de mestres e doutores, não oferece mercado de trabalho para inseri-los.
Além disso, outro desafio ao combate à fuga de cérebros, é a ausência de investimentos em pesquisa e a falta de estrutura dos laboratórios. Esses fatores implicam em dificuldades para os pesquisadores e, como consequência, são obrigados a procurar oportunidades em outros países, ocasionando a fuga de cérebros.
No Brasil, frequentemente, as pesquisas estão concentradas nas universidades públicas, esse fato acarreta a necessidade de políticas públicas por parte do Estado direcionadas a ciência. Todavia, os investimentos nesse setor variam de acordo com os interesses dos gestores, podendo receber investimentos ou cortes orçamentários. Por outro lado, existem diversos países em busca de mão de obra qualificada. Nesse cenário, o Brasil prepara a mão de obra qualificada, porém, não a utiliza, deixando que outros países usufruam dos benefícios desse investimento.
Portanto, mediante as informações apresentadas fica claro a urgência do país em proporcionar uma infraestrutura adequada à ciência. Para isso, é imprescindível que o Estado formule parcerias com empresas privadas visando aos investimentos em ciência, pesquisa e tecnologia; e consequentemente a geração de empregos para os pesquisadores. Dessa forma, não será mais necessário sair do Brasil para obter emprego e o país poderá ser beneficiado com as descobertas científicas.