Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 30/08/2020
É notório que a fuga de cérebros no Brasil já é uma realidade, pois profissionais extremamente competentes estão deixando o país, devido à falta de oportunidades de trabalho. Isso ocorre porque o governo brasileiro não incentiva a iniciação científica, e não dá credibilidade a pesquisas de suma importância para o bem-estar coletivo. Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro, foi o responsável por desenvolver um exoesqueleto, que ajudou uma pessoa paraplégica a chutar uma bola de futebol na abertura da copa do mundo de 2014. Porém, a mídia e a população não deram importância para tal feito.
É sabido que cerca de 35% das pessoas que possuem mestrado estão desempregadas, e 25% das que possuem doutorado também. Esses dados são preocupantes, ou seja, quanto maior o grau de instrução, eleva-se a possibilidade delas ficarem sem empregos, sendo que no mundo a taxa de desocupação desse grupo é muito menor. Como não existe vaga de emprego, e as pessoas precisam trabalhar, acabam buscando oportunidades no exterior porque a situação atual está péssima. Portanto, a falta de infraestrutura e a dificuldade do mercado de aproveitar a mão de obra qualificada favorece o êxodo para o exterior.
Ademais, o governo federal cancelou 11.000 bolsas da capes( Coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior), o que deixou vários pesquisadores sem suas remunerações, pois o beneficiário do auxilio não pode ter vínculo empregatício. A profissão de cientista não é regulamentada, isto é, não é regida pela CLT( Consolidação das leis trabalhistas),com isso os profissionais da ciência não adquirem os direitos que um trabalhador formal de carteira assinada recebe. Logo, os cientistas afirmam: " Se estuda muito para obter uma remuneração inadequada."
Em síntese, é inegável que a fuga de cérebros no Brasil precisa ser combatida, não é uma tarefa fácil, mas bastante necessária. Para conter o desemprego de mestre e doutores o governo brasileiro precisa investir uma boa quantidade de dinheiro em pesquisa, com a finalidade de custear equipamentos, materiais, conteúdo e pagamento de funcionários. Também, pode incentivar a aposentadoria por tempo de serviço de pesquisadores das universidade públicas a fim de gerar novas vagas de trabalho para os jovens cientistas. Além disso, é indispensável que ele estimule a carreira científica através da distribuição de bolsas de estudos com remuneração equivalente à graduação do beneficiário. Ainda, é fundamental que os governantes regularizem essa categoria para que esses trabalhadores adquiram os mesmos direitos regidos pela CLT. São atitudes imprescindíveis cujo objetivo é a valorização do profissional brasileiro.