Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 24/08/2020

Em “A República”, o filósofo Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas, em que o povo trabalha em conjunto para superar todos os impasses. Fora da produção literária, com ênfase na sociedade brasileira, nota-se o oposto das ideias de Platão, uma vez que a fuga de cérebros no Brasil apresenta obstáculos de grandes proporções. Com efeito, faz-se vital analisar as principais causas da problemática, a qual persiste influenciada pela negligência por parte do Governo e também pela desvalorização científica.

Em primeiro lugar, nota-se que a ausência de medidas governamentais dificulta a resolução da adversidade. Em consonância com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação dos escalões de governança, diversos cientistas emigram para países que oferecem melhor estrutura e melhores oportunidades para a propagação do pensamento científico, como se observa - a título de exemplo - na crescente escalada de saída de profissionais para os Estados Unidos. Desse modo, por dedução analítica, nota-se a potencial relação negativa entre a ausência de investimentos e a irradiação do avanço científico.

Outrossim, a falta de valorização da ciência atua como fator dificultador. Sob esse viés, Nelson Mandela afirma que “A educação é arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” Entretanto, com as falhas de reconhecimento, importância e incentivo científico, um verdadeiro cenário patológico é formado, caracterizado pela desesperança de significativa parcela da comunidade científica, ocasionada pela escassez de recursos e, como corolário, a busca por países que proporcionem reais oportunidades de progresso das ciências. Assim, é imprescindível o investimento em pesquisa e incentivo à sua realização, sob pena de se estabelecer no país uma sociedade científica tendente à emigração.

Nesse sentido, o Governo Federal - em conjunto com o Ministério da Educação - deve proporcionar investimentos nas instituições de pesquisa (notadamente CNPQ e CAPES), por meio de recursos oriundos do Tesouro Nacional e destinados a esse fim, com a finalidade de incentivar o aumento no volume da produção científica em território nacional. Tais investimentos devem estar previstos na Lei Orçamentária Anual, juntamente com recursos para a divulgação de trabalhos científicos em redes sociais e plataformas de vídeos de grande acesso, a fim de ressaltar a relevância da produção científica no Brasil.