Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 30/08/2020

O filme “Tempo Modernos” de 1936 mostra como no passado havia uma super valorização da força braçal do trabalhador em detrimentodo seu nível de conhecimento.Hoje,com a influência da globalização,este cenário mostra-se o contrário,pois o desenvolvimento de um país está atrelado ao seu saber tecnológico. No Brasil, entretanto,o precário investimento em ciência somado a invisibilidade governamental quanto aos graduados e pós-graduados que se dedicam à pesquisa têm contribuído para o aumento da fuga de cérebro. Portanto, é mister que medidas efetivas sejam tomadas a fim de mitigar tal problema nacional e proporcionar a ascenção econômica brasileira.

Em primeiro lugar ,pode-se destacar que ,segundo o IBGE, apesar de o país ter um aumento significativo da população formada no ensino superior nos últimos 10 anos, ele continua com um baixo sistema produtivo.Isso se deve à falta de indústriais nacionais de apoio à ciência, uma vez que determinados insumos e maquinários de uso laboratorial necessitam ser importados. Com isso,o físico brasileiro ,Bruno Mota, que em 2015 publicou um artigo na revista Science,evidenciou que nos Estado Unidos tais produtos demoram dois dias para chegar aos centro de estudo, já no Brasil alongam-se dois meses, quando não são barrados pela alfândega ou chegam sem serventia, o que inviabiliza o pleno desenvolvimento de pesquisas nacionais .

Em segundo lugar, vale resaltar que o fato da profissão cientista não ser regulamentada pelo Ministério do Trabalho desestimula muitos estudantes a seguirem esse ramo no país, pois não terão acesso aos direitos trabalhistas assegurados por esse orgão, como: registro em carteira, férias remunerada, décimo terceiro salário, entre outros. Além disso, ratifica-se que o governo não reconhece este estudo como um serviço produtivo ao país , tendo em vista o baixo valor condicionado as bolsas para essa área, que segundo a Neurocientista da UFRJ, Suzana-Herculano variam de menos de um salário mínimo à mil e quinhentos reais, valores que não se alteram em dois anos.

Enfim, para reverter esse quadro alarmante e combater à fuga de cérebros no Brasil, cabe a Receita Federal disponibilizar parte dos impostos arrecadados para que o Governo Estadual possa investir em indústriais voltadas para de insumos científicos, por meio de subsídios e isenções fiscais, com o intuito de ascender o andamento dos laboratórios e atrair os estudantes. É imperioso também que o Poder Legislativo registre o cientista no Ministério do Trabalho para o incluir aos direitos empregatícios e incentivar a atuação desse ramo . Dessa forma, com a devida valorização desse profissional e sua permanência no país farão o crescimento econômico e tecnológico necessário à nação.