Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 26/08/2020
A fuga de cérebros, expressão utilizada para se referir à saída de cientistas do país em busca de maior valorização profissional, é uma séria realidade brasileira. Nesse contexto,o desafio principal é o descaso governamental em relação a ciência, o que desestimula a permanência de tais trabalhadores no Brasil.Com isso, há prejuízos tanto para a própria economia do país,quanto para a população brasileira,que deixa de se beneficiar com a pesquisa nacional.Logo,é essencial mudar tal problemática.
Em primeira análise, a pouca preocupação do governo brasileiro em relação à valorização da ciência agrava a fuga de cérebros no país. Tal questão é expressa, por exemplo, nos baixos salários pagos aos pesquisadores, além da escassez de recursos disponíveis para o início e continuidade dos trabalhos. Dessa forma, é possível apontar que o governo brasileiro frente a ciência é uma instituição Zumbi -termo utilizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para se referir a entidades públicas as quais não cumprem sua função social- , já que que ele é o principal responsável por incentivar a ciência nacional, porém, não realiza seu papel de maneira efetiva. Consequentemente, muitos cientistas, prejudicados com o descaso governamental, buscam melhores oportunidades em outros países, o que é negativo.
Em segundo lugar, cabe apontar os prejuízos econômicos e sociais da fuga de cérebros. Isso ocorre, visto que o Brasil apresenta amplo potencial de recursos naturais a serem explorados, como princípios ativos de fármacos e cosméticos em espécies de plantas nativas endêmicas. Assim, com o incentivo à pesquisa nacional, é possível explorar tais recursos e obter novos produtos com alto valor agregado aptos a serem comercializados,impulsionando a economia nacional. Ademais, por meio da ciência é possível obter avanços médicos, como a descoberta de tratamentos para doenças graves, o que pode melhorar significativamente a qualidade de vida da população. Contudo,quando a ciência é desvalorizada e os cientistas deixam o país, tais benefícios deixam de acontecer, o que é ruim para a economia e para a sociedade. Em suma, é fundamental combater a fuga de cérebros, a fim de aproveitar as vantagens oriundas da pesquisa nacional.
Portanto, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve valorizar os cientistas brasileiros e proporcionar condições adequadas para seus trabalhos. Isso precisa ser feito por meio do direcionamento de recursos públicos para o campo em questão, os quais devem ser utilizados para o aumento dos salários dos trabalhadores, além da compra de materiais e equipamentos para os laboratórios das instituições públicas do país. Tal medida tem por objetivo fazer com que o governo deixe a condição de Instituição Zumbi e passe a contribuir efetivamente para a ciência,o que traz benefícios econômicos e sociais.