Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 30/08/2020

É de amplo conhecimento que uma das variáveis mais importantes para mensurar o crescimento econômico de um país é o seu capital humano, a qualidade da sua força de trabalho. Isto porque o nível da mão de obra de um país é resultado direto de um indicador importantíssimo para qualquer país que queira se desenvolver: a educação. Daí o grande incentivo dos países desenvolvidos nesse quesito, e o motivo da crescente evasão de talentos brasileiros ser um grande problema para o país. A chamada “fuga de cérebros” no Brasil é um problema que, caso não seja solucionado depressa, fará o país perder o bonde da revolução digital.

O Brasil vive um verdadeiro paradoxo na educação. Segundo levantamento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país investe muito na educação, ultrapassando até países desenvolvidos como Estados Unidos. Por outro lado, está entre os últimos no ranking do Pisa (Programme for International Student Assessment), significando que está investindo errado. E definitivamente, não está investindo em pesquisa, como ficou evidenciado no ano passado, quando, entre diversas crises internas, as verbas das agências de fomento sofreram um verdadeiro esquartejamento, refletindo no corte de milhares de bolsas de pesquisa, há anos sem reajustes.

Tanto descaso com a ciência não gera incentivo algum para a permanência desses jovens pesquisadores desencantados, que naturalmente começam a emigrar para países onde a Ciência e Tecnologia são valorizadas. Portanto, estamos perdendo os trabalhadores mais preparados, por oportunidades muito melhores lá fora. Outro incentivo para a fuga de cérebros é que a “empregabilidade” no mercado brasileiro é muito ruim, tendo amargado uma profunda crise econômica que já dura anos.  Ato contínuo, várias universidades no exterior investem muito em programas de atração de talentos internacionais. De fato, em se tratando de educação, o Brasil tem muito a aprender.

Portanto, para contornar este prejuízo, é preciso que o país dê mais importância não só à formação de recursos humanos mais qualificados, mas também garanta a empregabilidade dos pesquisadores. Para tanto, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MINCT) precisa providenciar a imediata restauração das verbas das agências de fomento, bem como reajustar os valores das bolsas de pesquisa buscando o nível das universidades internacionais. Ato contínuo, o MINCT poderá, através de parcerias público-privadas, garantir a absorção desses profissionais ao mercado de trabalho interno. Tal investimento é de extrema importância, visto que aumentará exponencialmente a qualidade do mercado brasileiro, que se tornaria muito mais competitivo. O objetivo é claro: conquistar a tecnologia de ponta e ultrapassar a presente realidade brasileira de mero exportador de commodities.