Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/08/2020

“O futuro pertence àqueles que se preparam hoje para ele.” A máxima do ativista norte-americano Malcolm X reflete o óbice no combate à fuga de cérebros no Brasil hodierno. Tal conjuntura deve-se à negligência estatal e, além disso, à mentalidade da sociedade. Destarte, urge, no âmbito atual, a adoção de medidas, por parte do Estado, a fim de reverter as mazelas oriundas desse problema.

Mormente, é válido salientar a indiligência governamental como fator corroborante dessa chaga social. Sob tal óptica, o filósofo Kant, usado como base para as Constituições ocidentais modernas, elucida que o Estado deve agir tendo sempre a dignidade humana como fim. Todavia, tal função é negligenciada, na contemporaneidade, no momento em que os pesquisadores brasileiros, das mais diversas áreas, recebem o mínimo de incentivos econômicos e estruturais. Tal fala de oportunidade piorou consideravelmente no ano de 2020, em que o Ministério da Educação cortou o financiamento de cerca de 25% das bolsas CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Dessa forma, por serem cortados os investimentos em pesquisas científicas, instrumentos para desenvolvimento do País, observa-se, cada vez mais, a evasão de estudantes para fora do Brasil, onde são mais valorizados e reconhecidos.

Ademais, ressalta-se que a opinião pública atua, de forma perniciosa, nesse contexto. Com efeito, é fato que as raízes históricas brasileiras da educação pública sempre tiveram a desigualdade de acesso como característica. Dessa maneira, tal diferença de oportunidades levou ao surgimento de pensamentos errôneos, como “só estuda, mas não trabalha”, que desvalorizam o esforço dos pesquisadores científicos, por exemplo. Por consequência, tal pensamento influencia diretamente a evasão de “cérebros” brasileiros, já que em outros países, como o Canadá, eles recebem mais reconhecimento.

Dado o exposto, fica evidente a urgência em cessar a problemática em questão no País. Portanto, é mister que o governo invista no crescimento da ciência, por meio da restauração das verbas das agências de fomento, para que os pesquisadores brasileiros tenham todo suporte para seus trabalhos. Também, é imperiosa a ação estatal no que tange à conscientização da população, mediante campanhas publicitárias que elucidem a importância dos cientistas, de forma que ideias errôneas sejam desmistificadas, com o objetivo de aumentar a valorização dessa classe. Assim, visa-se ao bem-estar social e ratifica-se o pensamento de Malcolm X no tocante à preparação para o futuro.