Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 28/08/2020

A fuga de cérebros é a saída de profissionais qualificados de uma determinada região que apresenta problemas de empregabilidade. Nesse sentido, essa emigração de indivíduos graduados influencia de modo negativo na economia, política e cultura do Brasil, uma vez que há desvalorização do conhecimento científico na sociedade contemporânea. Assim, a exclusão deles no âmbito público e o aumento de graduados são desafios antagônicos aos valores éticos e morais da cidadania.

Em primeira análise, a ausência de medida referente à inclusão de profissionais no mercado de trabalho nacional reflete na expansão da fuga de cérebros no Brasil. Desse modo, na teoria política grega, o filósofo Aristóteles defende a importância da pólis - Estado- assegurar as necessidades dos cidadãos em prol da construção de princípios coletivos. No entanto, nota-se que a falta de oportunidades em empregos, como também a desvalorização de diplomas contradizem o pensamento aristotélico, uma vez que os órgãos estatais, responsáveis pela organização social, não atuam eticamente na disponibilização de serviços públicos. Consequentemente, essa conjuntura gera colapso na economia e torna-se evidente o desemprego na sociedade.

Além disso, o dilema da ciência como ferramenta de transformação social no combate à fuga de cérebros é oposto a realidade brasileira. Em paralelo, na obra ‘’ Cidade e a Vida Mental’’, o sociólogo Georg Simmel discute que os avanços da modernidade tornaram a zona urbana mais simples e complexa, em que houve mais facilidade de adentrar ao ensino superior, mas há dificuldades de empregar profissionais recentes. Tal cenário, análogo ao pensamento de Simmel, comprova a desproporcionalidade existente entre a valorização do ensino e o descaso com o emprego no setor econômico. Por conseguinte, é inaceitável que esse cenário persista em um país o qual preza pelo bem-estar coletivo dos cidadãos.

Logo, os desafios no combate à saída de profissionais no Brasil é real. Para reverter isso, urge o papel do Ministério da Educação em ampliar o mercado de trabalho e desenvolver oportunidades de empregos aos profissionais, por meio da abertura de processos seletivos e construção de serviços públicos. Essa ação deve incluir os cursos de graduação no sistema trabalhista e expandir o número de vagas nas regiões nacionais de forma a diversificar o trabalho com diploma e reconhecer o valor da ciência brasileira. Portanto, será possível atenuar o processo da fuga de cérebro e ratificar a concepção de bem-estar coletivista de Aristóteles.