Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 30/08/2020
A partir da Terceira Revolução Industrial, iniciada em 1970 nos Estados Unidos, o número de descobertas tecnológicas passou a crescer exponencialmente. Decerto, o Brasil dirige-se para o lado oposto, o que acarreta a chamada “fuga de cérebros”, ou seja, uma onda de pesquisadores deixando o país. Assim, a problemática está diretamente relacionada ao contingenciamento de verbas da educação e ao negacionismo, e pode trazer sérios prejuízos econômicos no futuro.
A princípio, deve-se reconhecer a situação educacional do país. No ano de 2019, houve uma suspensão de 42% do orçamento total do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Dessa forma, a falta de incentivo à educação implica uma precarização da infraestrutura nas universidades e impossibilita o desenvolvimento de pesquisas. Além disso, o corte de bolsas de estudo pelo Governo Federal, no mesmo ano, dificulta ainda mais a vivência acadêmica e, por ausência de recursos financeiros, impulsiona o discente a buscar por oportunidades no exterior.
Ademais, o avanço do negacionismo, em parte, pelo fundamentalismo religioso, impede a valorização da ciência nacional - aliás, as fake news sobre a “balbúrdia” nas universidades dificulta o processo. Logo, a longo prazo, o Brasil pode apresentar uma economia fragilizada e ainda mais dependente de outros países, já que os tecnopolos brasileiros são os centros acadêmicos, a exemplo da Unicamp. Também, na Era Digital, a qualidade da produção tecnológica e da educação diferenciam uma potência mundial de um mero exportador de matéria-prima.
Portanto, o problema deve ser resolvido com urgência. Primeiramente, o Governo Federal deve investir maior parcela dos impostos na educação pública, além de conceder bolsas aos pesquisadores; a fim de incentivar a ciência nacional. Secundariamente, a mídia deve, por meio de palestras e entrevistas, divulgar os estudos e as descobertas realizadas nas universidades, para combater o negacionismo. Assim, o Brasil se tornará um grande produtor de conhecimento e, consequentemente, uma potência.