Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 03/09/2020
Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, no qual determinou que o desenvolvimento científico e tecnológico deve receber tratamento prioritário do Estado. Hoje, porém, a ciência brasileira enfrenta diversos desafios que resulta na imensa fuga de cérebros do país e compromete o seu avanço. Nessa perspectiva, é fundamental não só viabilizar o aumento do capital aplicado na mesma, mas também a sua visibilidade.
Cabe, a priori, ressaltar que existe uma vasta desvalorização da ciência no Brasil. Isso porque o governo efetua inúmero cortes orçamentais nos órgãos responsáveis pelas realizações de estudos e pesquisas o que, por conseguinte, resulta na impossibilidade de conclusão das possíveis descobertas. Um bom exemplo de tal cenário foi o congelamento de 42% das despesas de investimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em 2019. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Outrossim, deve-se observar que ainda há pouco reconhecimento, por parte de uma parcela da população brasileira, acerca dos benéficos da ciência e de quem os conclui. Isso pois as políticas nacionais e os veículos midiáticos não atuam intensamente na disseminação de informações e na fácil comunicação com a ciência para despertar a curiosidade do público e, por conseguinte, aproximá-los da cognição derivada das pesquisas. Prova disso foi a enquete realizada pelo Centro de Gestão em Estudos Estratégicos, na qual evidenciou que 61% dos entrevistados se declararam interessados pelo tema, contudo 87% não souberam informar o nome de alguma instituição científica do país e 94% não conhecem nenhum cientista brasileiro. Dessa maneira, nota-se que a expansão da informação necessita ser imediata.
Depreende-se, portanto, que prezar por iniciativas científicas é primordial. Para tanto, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promover maiores investimento financeiros mediante realocação de verbas destinadas à emendas parlamentares com o propósito de garantir a desenvoltura efetiva da ciência. Ademais, incumbe à Secretaria Especial de Comunicações (SECOM) propagar o maior alcance e reconhecimento daqueles que estão por trás das melhorias do país por meio de propagandas e campanhas a nível nacional a fim de apresentá-los a sociedade, instigar a população a se engajar pela área e, em consequência, priorizar o desenvolvimento científico, assim como diz a Constituição de 1988.